Blog do Instituto Sergio Motta

Arquivo da categoria ‘memória’

Multinarrativas Visuais

la peau - instalação de Thierry Kuntzel

Os formatos e linguagens da sétima arte adaptados ao espaço de galeria de arte são o mote de Cinema Sim - Narrativas e Projeções_ exposição organizada pelo Núcleo de Audiovisual do Itaú Cultural que apresenta 18 trabalhos que atestam a tendência de aproximação do cinema com as artes visuais. O espaço reúne 11 artistas de diferentes partes do mundo, como Alemanha, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Inglaterra e Suíça. Como destaque da mostra, La Peau, última produção do francês Thierry Kuntzel, morto no ano passado. A instalação revela uma paisagem panorâmica da pele, criada a partir de centenas de fotografias de partes de corpos não identificáveis. Esta imagem é projetada em uma grande tela, muito lentamente e de forma contínua, através do photomobile – máquina especialmente criada para a obra, que exibe uma película de 70mm e que revela a epiderme numa escala ampliada e gigantesca. O mecanismo permite que a pele apareça em um grande plano-seqüência. Thierry Kuntzel , antes de se enveredar pela carreira artística, foi, reconhecidamente, um dos grandes teóricos do cinema francês. Sua obra como um todo, está voltada para a relação entre tempo e memória, o limiar entre a representação e linha narrativa de uma história. No final da década de 70 foi colaborador das publicações Camera Obscura e Film Quartely Journal, e nessa fase pesquisou a relação entre o uso de mensagens subliminares no cinema e o inconsciente. A Exposição Cinema Sim ficará em exibição no Instituto Itaú Cultural até o dia 21 de dezembro.

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O futebol por Douglas Gordon

Zidane: Um retrato do século XXI - Vídeo realizado por Douglas Gordon e Philippe Parreno

Douglas Gordon (Glasgow, 1966) se tornou um dos artistas mais conhecidos da cena artística internacional ao longo da década de 90. Os seus trabalhos usam uma variedade de suportes tais como o vídeo, a fotografia, o som e o texto. A sua visibilidade internacional tem aumentado desde a obtenção do Prêmio Turner em 1996 ou do Prêmio Hugo Boss. Em 23 de Abril de 2005, Douglas Gordon, então convidado do programa de artistis-in-Berlim, e Philippe Parreno gravaram o jogo de futebol Villareal contra Real Madrid utilizando dezessete câmeras que capturaram cada etapa do grande jogador francês Zinedine Zidane, do kick-off ao assobio final. À beirada do campo, as lentes captaram cada movimento do jogador, ao invés dos movimentos da bola. O resultado é um vídeo, que os diretores Gordon e Parreno denominaram Zidane: um retrato do século XXI. Zidane se aposentou há dois anos após a fatídica final da Copa do Mundo de 2006, acontecida no estádio olímpico de Berlim. Douglas Gordon que assistiu a partida a utilizou como retoque final para o seu trabalho. Um retrato do século XXI nunca foi mostrado na Alemanha e pela primeira vez será exibida na daadgalerie.

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“A memória é uma ilha de edição”

Este vídeo é uma das repostas do sistema de busca do You Tube para a quinta palavra, no caso a palavra “ilha”, da frase “a memória é uma ilha de edição”

O canal You Tube do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia apresenta sua mais nova curadoria. O convidado da vez é o Eduardo de Jesus que também faz parte do Conselho da Associação Cultural Videobrasil. Atualmente, Jesus coordena e atua como curador dos projetos Circuito mineiro de Audiovisual e Imagem-pensamento. É professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC-Minas onde integra a equipe do CEIS - Centro de Experimentação em Imagem e Som e é o idealizador do grupo de pesquisas Poéticas Audiovisuais e Memória, uma das inspirações para sua curadoria no canal do PSM. O título da curadoria, A memória é um search em um banco de dados, explicita o conceito apropriado por Jesus, que utilizou da idéia dos bancos de dados para a exploração aleatória das informações através de ferramentas de busca, onde essas acabam por se tornar verdadeiras extensões da memória. “Da abertura de um antigo desenho animado ao aniversário de 15 anos de uma adolescente na Bósnia, o You Tube abarca quase tudo e vem se convertendo num complexo manancial de memórias cotidianas que cresce vertiginosamente”, afirma o Jesus no texto curatorial. O curador ainda sugere um primeiro passo para a experimentação randômica dos bancos de dados, reconfigurando o mecanismo de busca do You Tube para busca por datas ou começar buscando pelas palavras que compõem frase do saudoso poeta Wally Salomão: “a memória é uma ilha de edição”.

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Martha Rosler Library

Martha Rosler Library

Uma biblioteca pessoal representa o privado de um indivíduo, seu jeito único de adquirir conhecimento, acumulação resultante de uma busca intelectual que acontece paralelamente às pesquisas aleatórias, que nos levam à espaços textuais e por conseguinte, mentais. Tendo esse mote em mente, Martha Rosler, uma das mais importantes artistas e intelectuais americanas, apresenta a Martha Rosler Library, um projeto inovador, em que a artista abre sua biblioteca pessoal, contendo mais de 7000 títulos. Além de abrir sua biblioteca pessoal, Martha a integra em um circuito itinerante, levando-a à diferentes lugares do mundo. Aberta pela primeira vez em Nova Iorque, a biblioteca já percorreu diferentes partes da Europa e agora será aberta em Liverpool, depois seguindo para Edimburgo, Escócia. Martha Rosler, além de importante teórica das artes, é conhecida por sua obra controversa onde as questões de gênero, mídia e tecnologia são pontos fundamentais. Seu primeiro vídeo, Semiotics of the kitchen (1975), inaugura um estilo único, ao questionar os papéis femininos na sociedade. Atualmente a artista vive e trabalha em Nova Jersey, lecionando na Mason Gross School of the Arts at Rutgers University e é autora de inúmeros livros.

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Entrevista com André Parente - A inquietude da arte de Letícia Parente

Still do vídeo In de Letícia Parente

O N-Imagem, Núcleo de Cultura e Tecnologia da Imagem da UFRJ, lança no dia 11 de abril um DVD e um catálogo que resgatam a obra de Letícia Parente, umas das mais importantes artistas Brasileiras. O evento de lançamento acontecerá dentro do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e terá um ciclo de palestras que discutirá o trabalho de Letícia em relação às questões do corpo, uma das características seminais de sua obra. Para falar do projeto, entrevistamos o professor e artista André Parente, que além de diretor do N-Imagem, também é o idealizador do projeto.


Como surgiu a idéia de resgatar a obra audiovisual de Letícia Parente e lançá-la em DVD?

Na verdade, o projeto é antigo, foi feito há quase dez anos, mas só encontrou resposta institucional recente (no caso, ele ganhou o edital de 2006 da Petrobras). Em todo caso, o momento do resgate coincidiu com a exposição do Paço das Artes (março de 2007) e de uma aumento de interesse pela obra da Letícia.

Percebe-se, principalmente nos trabalhos audiovisuais, uma relação de tensão entre o corpo da própria artista e a imagem. Essa tendência é comum à outros artistas da mesma época, tanto no Brasil como fora. Existe um diferencial no caso de Letícia Parente?

Sim, me parece que é uma tendência da vídeoarte internacional. Os vídeos do grupo da Letícia (formado por Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale, Sônia Andrade, Ivens Machado, Paulo Herkenhoff, Miriam Danowski e Ana Vitória Mussi)
eram em geral realizados em um único plano-seqüência, gestos cotidianos repetidos de forma ritualística – subir e descer escadas, assinar o nome, maquiar-se, enfeitar-se, comer, brincar de telefone-sem-fio – são encenados de modo a produzir uma imagem do corpo. Os vídeos de Letícia são como preparações e tarefas por meio dos quais o corpo revela os modelos de subjetividade que o aprisiona. A imagem é uma inflexão, uma dobra, mas a dobra passa pelas atitudes do corpo, pelo “mergulho no corpo” (termo de Oiticica que retomamos como expressão da reversão estética, a cura da obsessão formal modernista). Para alguns críticos, os trabalhos de Letícia e do seu grupo são como que registros de performances. Isto porque os aspectos técnicos da filmagem e da montagem são relegados a um segundo plano. O que importa é que a câmera e a filmagem agem sobre os corpos e personagens como um catalizador. Entretanto, hoje, fica cada vez mais claro, que os trabalhos de videoarte diferem dos outros em parte por uma espécie de secura,de quase ausência de decoupagem e de montagem.

Letícia foi pioneira no Brasil, ao lado de Rafael França e outros a trazer novos suportes tecnológicos para sua obra. Como se deu isso?

Rafael França é uma das maiores expressões do vídeo brasileiro. Adoro ele, é um dos meus preferidos. Mas a obra dele nada tem a ver com a inovação de suportes. No caso da Letícia e de seu grupo sim. Mas a questão do primeirismo não é o que importa, é uma questão menor. O que importa é a qualidade e o interesse de uma obra, não o fato de ter usado um meio primeiro que os outros. No entanto, muita gente pensa assim, e não é por outra razão que quando perguntamos o que um artista está fazendo,muitas vezes ele responde, de forma completamente “naif”: estou trabalhando com realidade virtual. E daí ? E se fosse com pintura ? Se pensarmos assim, viva McLuhan: o meio é mensagem. Porque não acrescentar: é tudo !

Alguns vídeos de Letícia, como por exemplo In, onde a artista se denpendura em um cabide dentro do armário, podem ser remetidos á condição de submissão feminina. Como ela lidava com a questão do feminino na sua obra?

Sim, quase todos os vídeos de Letícia são tentativa de falar sobre a condição da mulher, por um lado, daí a questão das tarefas domésticas (guardar roupa, passar roupa, costurar, etc) e da coisificação da do indivíduo na sociedade de consumo, o indivíduo se torna objeto ao se colocar como consumidor: consumidor consumido! Mas há muitas outras questões: a opressão do cotidiano,onde as tarefas são infinitas, o intolerável de uma sociedade sob o julgo da ditadura, etc. Quando vemos aquele pé ser costurado, passamos de uma imagem a outra, de uma condição a outra: todos os intoleráveis da sociedade explodem em nossa cara. Penso que essa é uma das marcas do vídeo dela.

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Relembrando a fazenda de formigas

trecho da performance Media Burn

Fundado em 1969, em São Francisco, o coletivo Ant Farm pode ser considerado um dos precursores do binômio arte e ativismo. Situacionistas confessos, uma das características mais lembradas dos seus trabalhos era a queima de aparelhos televisores como forma de crítica à cultura de massa americana. A contradição era uma tônica forte do grupo, ao mesmo tempo em que pregavam um discurso anti-tecnológico foram pioneiros ao usarem recursos midiáticos em suas performances e instalações. Agora, o coletivo ganha uma importante retrospectiva no Centro Andaluz de Arte Contemporaneo, em Sevilha. Além das performances polêmicas, como a épica Media Burn, performance em que os artistas atravessam com um carro uma pilha de TVs em chamas, a retrospectiva reúne alguns trabalhos em arquitetura experimental e ambientes imersivos. Muitos dos trabalhos não puderam ser transpostos para a mostra devido ao caráter imediatista, e em outros a monumentalidade. Exemplo disso, é o trabalho Cadillac Ranch, realizado em 1974, onde o grupo colocou uma série de cadillacs enterrados pela metade e na vertical, onde o público era convidado a grafitar os carros. Para aqueles que nunca ouviram falar ou viram alguma obra deste importante coletivo, muitos dos vídeos que documentam seus diferentes trabalhos estão disponíveis no site Youtube.

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Homenagem à Letícia Parente

Marca Registrada - still retirado do vídeo de 1975 feito Leticía Parente

O N-Imagem, Núcleo de Cultura e Tecnologia da Imagem da UFRJ, lança no próximo dia 11, o DVD Letícia Parente, que contém toda a produção da artista e cientista brasileira, falecida em 1991. Letícia nasceu em Salvador, em 1930, e faleceu no Rio de Janeiro. Doutora em química, professora titular da Universidade Federal do Ceará e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi uma das pioneiras das novas mídias no Brasil, trabalhando o xérox, a arte postal e principalmente a videoarte. Entre 1975 e 2008, suas obras participaram das mais importantes mostras de vídeo no Brasil e no exterior. Seu vídeo Marca Registrada, de 1975, tornou-se um emblema da videoarte no país. Agora, depois de um longo trabalho de pesquisa e restauração, patrocinado pela Petrobras e idealizado pelo professor e artista André Parente da UFRJ e coordenador do N-Imagem, os trabalhos de Letícia condensados em um DVD e um catálogo, serão exibidos e distribuídos para centros culturais, museus, escolas de cinema e comunicação, além de bibliotecas. O evento de lançamento acontece no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e terá um ciclo de palestras que discutirá o trabalho de Letícia em relação às questões do corpo, uma das características seminais de sua obra. Após as palestras, haverá o lançamento do DVD com projeção dos vídeos de Letícia Parente.

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A arte ilusória de Paul Prudence

Talysis 2 - imagem da animação Talysis 2

O artista multimídia Paul Prudence é o responsável pelo blog dataisnature, que tem por tema principal a arte desenvolvida em computadores. O interesse de Prudence pela arte computacional surgiu depois de esgotar sua possibilidade em técnicas tradicionais como a pintura. O artista, que além de blogger é também Vj e escritor, realiza uma pesquisa detalhada sobre a relação entre arte e tecnologia, analisando trabalhos que abordam robótica, arte algorítmica e arqueologia computacional. Paul esteve no Brasil em 2006 para a 3ª edição do simpósio emoção art.ficial, realizado pelo Itaú Cultural, apresentando Talysis 2. O trabalho é um vídeo que mostra imagens renderizadas por circuítos VVVV que obedecem padrões generativos. O resultado são imagens em loop inspiradas na Op art, estilo surgido nos anos 60, que explora as falhas da visão através de ilusões de ótica que provocam a sensação de movimentos de figuras geométricas, comuns ao estilo.

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La Isle e sua arte locativa

fundacion01 - local da exposição Fundación Gugg and Chaim

Carlo Sansolo e Erika Fraenkel são artistas e também curadores independentes que formam o grupo La Isle. Além das inúmeras obras de videoarte, a dupla também fez trabalhos em locative media como “Fundación Gugg und Chaim”. Este trabalho, que foi contemplado pelo prêmio Sérgio Motta, trata-se de um coletivo de net art, onde artistas de todo mundo enviaram imagens digitais que depois foram disponibilizadas ao público em uma oficina de carros da Lapa. Carlo e Erika já mostraram seus trabalhos em 8 países diferentes e constantemente propõem projetos como o Gugg und Chaim, onde qualquer artista pode participar de mostras enviando uma obra. O último trabalho da dupla foi Laisle videotape and sound, mostra que reuniu um pequeno panorama da produção de videoarte internacional e nacional, com 20 artistas dos seguintes países: Argentina, Alemanha, Brasil, Espanha, EUA, França, Noruega, Romênia e Sérvia. No site do grupo La Isle estão disponíveis também, textos produzidos pelos próprios artistas e outros que guiam os conceitos de suas obras, além do blog onde as imagens selecionadas para a a mostra “Gugg und Chaim” são exibidas.

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Retratos móveis de Luiz Duva

Vídeo que integra a instalação Retratos In Motion

Luiz Duva, criador no campo da videoarte, desenvolve desde o fim dos anos 80 o que ele chama de narrativas pessoais em vídeo. Agora as narrativas que tinham o tempo do passado ganham presentificação em suas live images e em sua atuação como Vj. São inúmeras também suas videoinstalações que experimentam com o ambiente audiovisual imersivo e o desenvolvimento de conteúdos e ambientes específicos para as novas mídias.
Duva, que já foi contemplado pelo Prêmio Sergio Motta por seu trabalho Concerto para Células em (De) Movimento, apresenta um site onde pode-se ter uma outra dimensão de seus trabalhos que, originalmente e em grande parte, são videoinstalações. O destaque vai para os trabalhos premiados Retratos In Motion, A paixão segundo Bruce e Radicais Livres, um remix de Radicais Livre(o)s de Marcus Bastos. Retratos In Motion que em sua primeira versão era uma videoinstalação, faz uma homenagem ao pintor Francis Bacon ao se apropriar de um processo semelhante ao processo de criação do pintor. Já A Paixão segundo Bruce, um de seus primeiros trabalhos, faz uma brincadeira com uma possível paixão entre Batman e seu arquirival Coringa. Entre os projetos mais recentes estão as performances Concertos para Lap Top e a composição visual Supensão, ambos de 2007.

Confira os trabalhos de Luiz Duva e assista aos vídeos disponíveis no site do artista e no canal do Prêmio Sergio Motta no Youtube:

Site pessoal de Luiz Duva

Canal Prêmio Sergio Motta

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