Blog do Instituto Sergio Motta

Arquivo da categoria ‘memória do futuro’

Existe literatura eletrônica?

Patchwork Girl - trabalho realizado em 1995

A chamada Literatura Eletrônica surgiu em meados da década de 1980 com a popularização de ficções hipertextuais eletrônicas, inspiradas em uma literatura posterior que já ultizava a estrutura hipertextual , porém não necessariamente como uso de suportes eletrônicos. Trabalhos como Rayuela de Julio Cortásar, em 1963, e 100,000,000,000,000 Poems de Raymond Queneau e Paul Braffort, em 1961, já faziam alusão a estruturas aleatórias aproximadas por ligações e marcações internas textuais. Já a literatura com o suporte electrônico se deu, primeiramente, em redes e depois com o uso de CD-Roms. O crescimento de narrativas interativas, jogos e instações que utilizavam variados suportes digitais levaram o gênero ao estatus de vanguarda durante os anos 1990 , com o surgimento de trabalhos antólogicos como Patchwork Girl, de Shelley Jackson e London Eyede Diane Greco. Posteriormente, essa forma de arte perdeu entusiastas devido a queda no uso de suportes como o CD-Rom e disquetes, ainda que a popularização da internet oferecesse um novo background para a realização deste tipo de trabalho. O site Electronic Literature Organization é uma das maiores bibliotecas do gênero e se dedica a mapear, publicar e incentivar a prática da literatura eletrônica. Lá são encontrados trabalhos recentes e também uma relação de publicações sobre o gênero.

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Arqueologia da Artemídia

The marvelous talking machine - Arqueologia das mídias

A Arqueologia da Artemídia é um estudo recente, advinda dos campos da comunicação e das artes, como por exemplo, a Arqueologia das Mídias, desenvolvido ao longo dessas duas últimas décadas. Tem como ponto de partida as teorias de Michel Foucault, Walter Benjamin e Friedrich Kittler, além de outros teóricos que contribuem para pensar o desenvolvimento da artemídia como um fenômeno não linear e interdisciplinar. A teoria não é, propriamente, uma escola de pensamento ou uma técnica específica, mas uma atitude emergente que investiga as tendências esquecidas ou negligenciadas da confluência entre arte e tecnologia ao longo da história. Um exemplo é o trabalho Digital Contagions: A Media Archaeology of Computer Viruses, de Jussi Parikka, teórico finlandês, que escreve sobre a história cultural e social dos vírus de computador. O livro não possui publicação em português, mas o autor publica constantemente textos sobre Arqueologia da Artemídia, em seu blog Machinology. O site Cartographies of Media Archaeology também apresenta discussões interessantes sobre o tema.

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Nas origens do Circuit Bending

Teleharmonium - instrumento que usa sinais elétricos para fazer música

Você sabe o que é Circuit Bending? È uma prática que consiste basicamente na modificação de dispositivos eletrônicos (tais como brinquedos usados ou outros aparelhos) visando à criação de instrumentos musicais. O nome circuit bending tornou-se comum a partir dos experimentos de Reed Ghazala, que na década de 1960, passou a buscar novos efeitos sonoros através da adaptação de mecanismos elétricos para recriar um sintetizador. Anteriormente, Serge Tcherepnin, designer do Serge Modular Synthesizers, discutia a possibilidade já em 1950 , com seus experimentos sonoros que utilizavam transistores de rádio. Porém, alguns pesquisadores apontam a real origem da técnica em 1897, com os trabalhos do inventor americano Thaddeus Cahill, que criou o instrumento eletro-mecânico denominado Teleharmonium, um super sintetizador que se assemelhava a um órgão gigante e gerava sons através de sinais elétricos. Desde então são inúmeros os seguidores que acabaram por tornar essa técnica de improvisação com circuítos eletrônicos em arte. No Brasil, o circuit bending pode ser representado pelo artista Cristiano Rosa e seu projeto individual chamado Panetone. O artista utiliza circuitos eletrônicos construídos ou modificados, criando dispositivos com um mínimo de teoria e muita filosofia faça-você-mesmo. Em 2009, foi indicado ao lado de Michelle Agnes, ao 8º Prêmio Sergio Motta, na categoria início de carreira. Acesse o canal do artista no Youtube e veja como se faz arte com a técnica Circuit Bending.

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A vida em 2050

Trabalho de Alex Lukas - artista participante da Life in 2050

Life in 2050 é uma mostra organizada pelo estúdio Transmission para o festival anual de cinema SCI-FI-LONDON. Ao todo, são vinte artistas expondo trabalhos que criam conceitos sobre o futuro daqui a 40 anos. Segundo o texto curatorial, “a vida em marte, o contato com aliens e robôs realizando tarefas domésticas viraram lugar comum e não funcionaram muito bem até o momento.” De que maneira estaremos vivendo, quais os problemas que encontraremos, e quais serão as mudanças encontradas em 2050 são algumas das questões imaginadas pelos artistas que exibem seus trabalhos na galeria Chapter One, de Londres, a partir do dia 16 de abril. As obras apresentadas também serão disponibilizadas em um acervo on-line, e paralelamente, o projeto convida os internautas a enviarem imagens que representem o futuro em 2050. A imagem vencedora será selecionada e incluída na exposição Life in 2050. Para enviar as imagens e saber sobre o assunto acesse o site www.life-in-2050.com .

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Arte Construtivista brasileira ganha mostra internacional

O blog da Rizhome, especializado em arte e tecnologia, dedicou um post especial para a exposição Dimensions of Constructive Art in Brazil – The Adolpho Leirner Collection que acontece na Haus Konstruktiv em Zurique, Suíça. O destaque da mostra, segundo o blog, seria o trabalho Aparelho Cinecromático do artista Abraham Palatnik. O trabalho é uma série de aparelhos cinéticos que em 1951, integraram a primeira Bienal de São Paulo sob muita controvérsia. A comissão de trabalhos quase não aceitou as obras por não saberem em que categoria encaixá-las. A série acabou sendo apresentada como pintura/escultura e recebeu um prêmio especial de pesquisa. Pioneiro da arte cinética, o brasileiro, filho de judeus, recentemente foi tema de uma retrospectiva no Itaú Cultural. Palatnik é apenas um dos artistas brasileiros que integram a coleção Leiner, a mais importante coleção de arte construtivista brasileira, que pertencia ao paulistano Adolpho Leirner, exibida pela primeira vez na Europa. Em 2007 a coleção foi adquirida pelo Museu de Belas Artes de Houston (MFAH) e até então só havia sido mostrada no Brasil e nos EUA. Além de Palatnik, na coleção há obras de Waldemar Cordeiro (1925-1973), Mauricio Nogueira Lima, Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Pape (1929-2004), Lygia Clark (1920-1988), Alfredo Volpi (1896-1988), Mira Schendel (1919-1988), Sergio Camargo (1930-1990), entre outros.

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Melhores de 2009-Internet em pictogramas

History of the internet” é um documentário animado que explica as invenções de conceitos e protocolos como time-sharing e filesharing, e o caminho da Arpanet até a Internet dos dias de hoje. A história é contada usando os Pictogramas desenvolvidos pelo projeto PICOL, que também estão disponíveis para download. O PICOL foi criado com o objetivo de ser uma base de fornecimento livre de ícones abertos para dispositivos eletrônicos. O objetivo é encontrar uma língua pictórica comum para uma comunicação eletrônica e facilitar a navegação. Todos os ícones são de uso livre e abertos para alterações. O projeto Picol teve início em 2008 como trabalho de graduação do designer Melih Bilgil. Bilgil graduou-se na Universidade de Ciências Aplicadas em Mainz, Alemanha e também é o diretor da animação acima.

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Fun Design

Mobile evolution - trabalho de Kyle Bean

O artista plástico Kyle Bean nasceu em Devon, Inglaterra, e está finalizando o curso de ilustração pela Universidade de Brighton. Seus trabalhos envolvem o uso de idéias criativas para a apropriação artística do design de produtos através da animação e de esculturas. Entre os clientes do artista, estão a Ford, o New York Times e a BBC. Seu trabalho já foi citado pelo livro Tangible: High Touch Visuals e pelas revistas Computer Arts e ARC Design, do Brasil. Recentemente, o artista trabalhou junto ao estúdio de animação Kanoti. Um dos exemplos dos trabalhos de Bean é o Mobile Evolution: Miniaturisation in the style of a Russian Doll, onde o artista se inspira nas matrioskas, tradicionais bonecas russas que se encaixam uma dentro da outra. O artista plástico reproduz a dinâmica das bonecas, porém substituindo-as por celulares. O objetivo é construir uma linha evolutiva da miniaturização dos aparelhos telefônicos desde a década de 80. O artista usa como aparelho maior um dos primeiros modelos da Motorola, o Motorola DynaTac, surgido na década de 80, e finaliza com iPhone.

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De volta ao Hipertexto

A ficção em hipertexto surgiu nos primórdios da internet e da mídia CD-ROM, e imediatamente foi declarada a literatura do futuro. Hoje, quase na obsolescência e após 19 anos do lançamento da primeira história em hipertexto de Michael Joyce, Afternoon, nunca como antes a internet de banda larga permitiu tanto usufruir de comportamentos fragmentários e da leitura não-linear. Esses hábitos se tornaram tão comuns e inerentes, que poucos artistas ainda hoje se atentam para aproveitar dessas características cada vez mais potencializadas pelo avanço da tecnologia. Talvez, uma das exceções nesse cenário, seja o artista americano Becket Bowes. Seu site [sic]ipedia é um projeto desenvolvido para o programa In Practice do SculptureCenter de Nova York, e toma a forma evocativa de um gabinete de antiguidades, no qual cada item retém uma história. O trabalho também é composto da instalação Social Isolate Club, que se constitui de duas miniaturas do navio de Teseu, um divã, e um vídeo que simula a criação da máscara mortuária para Alan Turing. A obra só pode ser compreendida pelos significados fragmentados que os objetos apresentam que ficam disponíveis no site [sic]ipedia. Social Isolate Club e o site sugerem um paralelo entre a leitura em hipertexto e a visão da própria instalação: ambos dão ao interator um certo grau de autonomia para ordenar a percepção de inúmeros elementos discretos e determinar a natureza das conexões entre eles.

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MÙSICA E ARTE DIGITAL DE LAURIE SPIEGEL

II 7 dec74 - imagem digital desenvolvida na Bell Laboratories

A compositora norte americana Laurie Spiegel é uma das pioneiras da integração entre a imagem e o digital. Além de musicista e ter trabalhado com música eletroacústica, Spiegel fez suas primeiras experiências com animação digital durante a década 70. Trabalhando no Bell Laboratories, desenvolveu ali inúmeras imagens gráficas e composições musicais, criadas a partir de algoritmos. Um exemplo é o seu software Music Mouse, que permite a qualquer pessoa, mesmo não conhecendo música, a criar composições a partir das teclas do computador e do mouse. Posteriormente, fundou dentro da New York Unversity, o Computer Music Studio. A artista foi aluna da Universidade de Oxford e estudou composição ao loado de Jacob Duckman e Vincent Persichetti. Durante a década de 80, se retirou da cena musical e deu continuação ao processo de criação de softwares para composição musical. Suas primeiras imagens por computador foram produzidas em 1974, a partir de um software de interface, VAMPIRE- Video and Music Program for Interactive Realtime Exploration, que permitia a criação de música e imagens generativas que se modificavam a partir da passagem do tempo.

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Op_era na China

op_era - instalação imersiva de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat

De 10 de junho a 3 de julho, o Brasil estará representado na Synthetic Times - Media Art China 2008, no Museu Nacional de Arte da China (Namoc), com a obra OP_ERA: Sonic Dimension, de autoria de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat. O trabalho pertence ao acervo de arte e tecnologia do Itaú Cultural - primeiro no país a reunir obras de arte e mídia, nacionais e internacionais, todas elas já exibidas ao público brasileiro. Esta é a única peça a representar o Brasil em Pequim, na mostra considerada a mais importante da região oriental nesse gênero de arte. Criada em 2006, OP_ERA: Sonic Dimension é uma instalação interativa representando um instrumento musical com a forma de um cubo preto e aberto, preenchido por centenas de linhas parecidas com as cordas de um violino. Afinadas com a tensão adequada, essas cordas virtuais vibram com uma freqüência de luz e de som que varia de acordo com a sua posição relativa e com o modo como o observador interage com ela. A obra foi vista pelos brasileiros, no ano passado, durante a exposição Memória do Futuro, na sede do instituto Itaú Cultural.

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