Blog do Instituto Sergio Motta

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Fórum A&T- Entrevista com Jorge La Ferla

La Antenna - filme de Esteban Sapir, citado por La Ferla como um dos realizadores atuais do audiovisual argentino

No dia 3 de novembro, o argentino Jorge La Ferla, curador e pesquisador em Mídias Audiovisuais apresenta a palestra Perspectivas críticas da produção latino-americana dentro do Fórum Internacional A&T- Perspectivas Críticas em Arte e Tecnologia. La Ferla colaborou em inúmeras publicações envolvendo a produção audiovisual da Alemanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, França, México e Estados Unidos, entre outros países. Editou mais 25 publicações sobre arte, desenho e tecnologias audiovisuais. Nesta entrevista ele revela um pouco sobre a produção audiovisual latina e as mudanças do mercado cinematográfico argentino com a chegada dos suportes digitais:

Como a tecnologia digital está modificando o circuito de produção audiovisual da América Latina?

A produção audiovisual da América Latina é complexa e muito diversa, é difícil traçar um panorama compreensivo. De qualquer forma é possível vislumbrar no campo audiovisual uma situação de crise no que diz respeito à produção cinematográfica em sua transferência para o digital, muito pouco trabalhada, o que reflete em uma atitude negativa que se sustenta apenas pelo desejo de simular o efeito do dispositivo digital. Muitos artistas latino-americanos provenientes das artes eletrônicas e do vídeo experimental se dedicam, paradoxalmente, a produzir experiências com o formato longametragem. São eles: Fabián Hofman do México; Cao Guimaraes, Kiko Goifman, Sandra Kogut, Fernando Meirelles e Eder Santos do Brasil; Andrés Di Tella e Esteban Sapir da Argentina. Por outro lado, temos um modelo antológico de artista e realizador como Chris Marker, que utliziou praticamente todos os suportes e dispositivos tecnológicos produzindo obras admiráveis, que experimentam com cada uma dessas máquinas e linguagens, em suas especificidades e combinações criativas híbridas.Há uma série de artistas que há vários anos estão na vanguarda ao utilizarem meios secos e meios úmidos, nas vertentes denominadas bioarte e arte transgênica, apoiados em uma sólida formação artística e em processos profundos de investigação. Um exemplo é Eduardo Kac que está na vanguarda deste movimento a mais de duas décadas.Lucas Bambozzi, talvez seja um dos casos mais notáveis dentro da produção latino-americana. Realizou trabalhos em película, vídeo, performance, instalações em netart, robótica, mídia locativa, entre outros. Em suma, chegou o momento de pensar novas nuances, histórias e modelos de formação dos arquivos audiovisuais. Como referência, cito os trabalhos La Historia del Video Arte en Colombia; Cine Mexperimental_60 años de medios de vanguardia en México; Made in Brasil: três décadas do vídeo brasileiro, Historia Crítica del Video Argentino y Net Art Colombia. Também há exemplos de experiências recentes como o projeto Emergentes de José Carlos Mariátegui; Visionarios_ Cine y video de América Latina, e Laura Baigorri, que faz um estudo comparativo sobre arte e tecnologia no continente Latino Americano. A edição adiada do tradicional XVII do Videobrasil, maior festival continental de artes eletrônicas da América deverá dar conta em 2009 de um estado de situação, como é habitual dentro de sua proposta, e que o resultado em 2011 apresentará uma análise dessas mudanças de dispositivos e da produção Audiovisual da América Latina


Como você avalia a transição do suporte fotoquímico para produção em suporte digital na Argentina? Existe alguma especificidade nessa produção?

A Argentina é um dos maiores produtores de cinema em longa metragem da América Latina. Devido a esse fenômeno, estamos vivendo um momento de crise muito interessante por causa do desaparecimento paulatino dos suportes fotoquímicos. Mesmo assim, uma parte da produção nacional se dá em celulóide 35 mm no registro da câmera, mas nos laboratórios de revelação e na projeção, gradualmente, este processo é convertido para suportes digitais de alta definição. São poucos os realizadores que tomaram consciência das possibilidades criativas destas mudanças: Leonardo Favio, Fabián Hofman e Fernando Spiner, produziram obras que transcendem, ao operarem no nível das máquinas digitais, diversas perspectivas criativas. Cito aqui alguns artistas do vídeo que se apropriaram da tecnologia digital: Gustavo Galuppo, Iván Marino e Marcelo Mercado, são os que atingiram um grau de expressão mais sofisticado ao incorporarem o computador como dispositivo criativo modificando radicalmente sua estética prévia baseada no sinal de vídeo analógico. Recordemos que, os centros de formação em arte, ciência e tecnologia que hoje existem na Argentina não dialogam com as 30 escolas de cinema que encontramos somente em Buenos Aires e arredores.
Hoje toda a produção audiovisual, desde videoartistas à realizadores do cinema, dependem do mesmo suporte digital, e todos trabalham a base do mesmo dispositivo tecnológico.Há um movimento de artistas que trabalham com instalações interativas, com a fusão da arte e da ciência das interfaces, ou em bioarte e robótica, que consolidarão novas gerações ao longo do tempo.


Yukiko Shikata, também palestrante do Fórum A&T, afirma que um dos fatores responsáveis pela mudança no conceito de Curadoria seria a cultura das redes digitais. Como você avalia a prática curatorial nos dias atuais?

Sem dúvida o tema da cultura das redes digitais aparece como uma variável significante e que nos faz repensar a idéia de curadoria. Mas de qualquer forma o conceito de curadoria, suas questões conceituais e operativas, por mais paradoxal que sejam, advêm da criação de um departamento de cinema no MOMA, Museu de Arte Moderna de N.Y., quando Iris Barry, em 1935, criou um lugar de investigação, conservação e exibição para as artes cinematográficas dentro do âmbito dos museus contemporâneos. A questão da prática curatorial nos dias hoje deve vir acompanhada de um processo de mapeamento, seleção, análise, arquivo e conservação das artes digitais. Os grandes projetos globais de curadoria e arquivo não têm sido eficazes. Desde a criação da UNESCO os grandes centros de artes midiáticas do hemisfério norte não conseguiram dar conta de uma situação que foge suas próprias fronteiras e continentes.As Históri(as) do Cinema de Godard, como afirma Dominique Païni, seguem sendo um conceito referência em quanto as possibilidades de produzir uma meta crítica pela máquina digital e comparada a das artes audiovisuais como efeito de um trabalho inteligente de curadoria, onde a base de dados é o elemento basal de categorização e processamento. As promessas da sociedade de informação e globalização ainda não se concretizaram, e diante de um mundo que se desenvolve cada vez mais fechado em si mesmo, é urgente a criação de estruturas mais autônomas para conservar os patrimônios artísticos tecnológicos. Neste sentido, um exemplo interessante é o acervo e arquivo do Videobrasil . Enfim, o tema das curadorias tende a perder muito frente a uma questão de fundo como a ausência de acervos e arquivos das artes audiovisuais, analógicas e digitais, que no caso da Argentina, e grande parte da América Latina, são inexistentes.

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O corpo transitório de Marina Abramović

Expansion in Space é uma das performances mais famosas de Marina Abramović, realizada pela primeira vez na Documenta de Kassel em 1977.

O Brasil recebe um dos maiores nomes da perfomance mundial. A Galeria Brito Cimino abre a exposição Transitory Object for Human Use – Objeto Transitório para Uso Humano, da artista plástica Marina Abramović, que se utilizará da área das 3 salas expositivas da galeria para apresentar suas 12 obras, com instalações e objetos que contam com a participação ativa do público. Abramović, nascida em 1946 em Belgrado, na Iugoslávia, é sem dúvida uma das artistas seminais de nosso tempo. Desde o início de sua carreira, no início dos anos 70, quando estudou na Academia de Belas Artes em Belgrado, tem sido pioneira no uso da performance como uma forma de arte visual, onde faz de elementos da sua biografia situações mentais fundamentais, dramatizando-as. Seu corpo é o seu material e, com o espaço que ocupa, forma o seu campo de atuação. Com freqüência, a artista chega aos limites do físico e mentalmente suportável, indo mesmo além deles. Para a galeria Brito Cimino o trabalho de Marina Abramović subdivide-se em duas partes: “Corpo do Artista”, em que a performance é executada por ela mesma, e “Corpo Público”, na qual ela pede ao público que participe da performance. As obras por ela concebidas têm participação certa nas mais respeitadas exposições internacionais como Documenta de Kassel, Biennale di Venezia, Centre Georges Pompidou entre outros. Nesta exposição em específico, o público é convidado a ser participante ativo. As instruções relativas a cada objeto estarão disponíveis e a participação depende apenas de ler e seguir as mesmas. Fica a critério de cada visitante o tempo que passará com cada objeto. A expectativa de Marina Abramović é de que o público brasileiro reaja com emotividade e curiosidade características, como ela se recorda de suas visitas anteriores.

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PINTA 2008_ Latin-America Art Fair

Fernando Bryce

Manhattan será, pela segunda vez consecutiva, a sede da PINTA_Latin-America art fair. Mais de 50 galerias dos Estados Unidos e da América Latina mostrarão sua seleção de trabalhos de arte moderna e contemporânea. A diversidade artística e a vitalidade criativa da América Latina são o tema. A PINTA 2008 homenageará o artista peruano Fernando Bryce, nascido em Lima no ano de 1965, cujos desenhos são reflexos da história coletiva do continente. Fernando adota uma expressão que se dá através da utilização de vários suportes da mídia impressa. O Brasil também participará da feira com a presença das galerias Nara Roesler e Raquel Arnaud, ambas de São Paulo e com a Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre.

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VOLTA 4

Volta 4

VOLTA é uma plataforma que apresenta a visão de inúmeras galerias de diferentes partes do mundo através de artistas e curadores selecionados. O evento além de itinerante, também é um espaço para novas galerias que revelam novos artistas. As galerias são selecionadas anualmente por um grupo de curadores para que a cada edição emerjam novos conceitos e aconteça o devido direcionamento aos artistas e ás galerias representadas. O VOLTA acontece desde 2005 e se encontra em sua quarta edição, que esse ano acontecerá na Basiléia, Suíça. O projeto do VOlTA 4 foi concebido para ser uma ponte entre as tradicionais feiras de artes da Basiléia. São mais de 60 galerias de 20 países países, inclusive o Brasil, representado pelas galerias Leme e Nara Roesler de São Paulo.

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