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ISEA2010 RUHR- Entrevista com Bruno Vianna
Bruno Vianna tem uma trajetória sedimentada no cinema e no vídeo. Começou a ganhar projeção com o seu primeiro longa, Cafuné, que aborda com muita poesia as diferentes paisagens sociais do Rio de Janeiro. O artista é um dos convidados do Instituto Sergio Motta para participar do ISEA2010 RUHR e apesar de sua incursão com formatos mais tradicionais do cinema, Vianna sempre buscou de alguma maneira a experimentação com as novas tecnologias audiovisuais. Através de uma parceria com Maíra Sala, desenvolveu uma interface para a edição em tempo real de seu longa Ressaca. (Veja o vídeo acima) O filme é manipulado através de uma tela tátil e para isto basta ao interator usar os seus dedos.O trabalho já foi apresentado como performance diversas vezes, e agora pela terceira vez, será apresentado como uma instalação durante o ISEA. Em 2009, o artista foi indicado na categoria “Início de Carreira” do 8º Prêmio Sergio Motta. Em entrevista, Bruno Vianna nos fala de seu processo de criação e de sua participação no ISEA:
O seu background veio do vídeo e do cinema. Como começou a trabalhar com as novas linguagens audiovisuais como por exemplo o live vjing?
Ainda quando estava estudando cinema, eu me interessava por tecnologias interativas. Fui o primeiro webmaster da PUC-Rio, em 94 (quando existia essa profissão, webmaster!). Em 97 fiz um mestrado na NYU que tratava exatamente de arte e tecnologia, e fiz alguns trabalhos na área como o Palm Poetry, no ano 2000. Mas foi com o Ressaca que consegui unir cinema e interatividade pela primeira vez.
Como surgiu a idéia para o Ressaca, trabalho que vai ser apresentada no ISEA2010 RUHR?
Enfim, a ideia surgiu quando eu estava finalizando meu primeiro longa, “Cafuné”, e tentando terminar de escrever o Ressaca, que era um longa normal. Já editando o Cafuné, eu me dei conta que o filme podia ter várias versões e todas eram válidas. O filme acabou sendo lançado em duas versões diferentes simultaneamente nos cinemas. O Ressaca, por outro lado, tinha no roteiro coisas que normalmente eram incoerentes: um personagem que morria várias vezes, uma cronologia que não batia necessariamente com fatos históricos. Daí eu percebi que a narrativa do Ressaca podia não ser fechada, e sim variar em cada sessão. Já havia tecnologia suficiente para fazer essa remixagem em alta qualidade no próprio cinema. Então o projeto se tornou um filme ao vivo.
Ressaca, possui uma interface desenvolvida especialmente para o filme, chamada Engrenagem. Como é para você pensar uma interface de manipulação que se encaixe a linguagem audivisual?
Quando eu escrevi o projeto, pensei que se o filme fosse editado de dentro da cabine de projeção, ou atrás de um notebook, Não haveria grande diferença em relação a uma sessão comum de cinema. Eu achava que o processo de edição tinha que ser transparente para o público e tinha que somar a experiência de se assistir a sessão. Portanto, a interface de edição tinha que ser visível durante a sessão. Quanto o projeto foi selecionado pela Oi, eu propus a Maíra que desenvolvesse essa interface. Ela aceitou e fez dela o trabalho final do mestrado que fazia em Barcelona, em Artes Digitais. O formato circular, o uso do touch screen foram propostas dela, além da programação e o design. Juntos, fomos adequando a interface ao filme e à perfomance até a estreia. O nome, Sprocket (engrenagem em inglês), vem dessa proposta de expor ao público as engrenagens, os mecanismos internos e ocultos do cinema.
Esse tipo trabalho artístico nunca se repete. Qual é a sua expectativa para a sua participação no ISEA2010?
De maneira geral, quando apresento o filme ao vivo, a reação do público influencia muito a edição que está sendo feita naquele momento. Risos, frieza, sono, atenção… eu acompanho tudo de detrás da tela. Na instalação, por outro lado, a iniciativa está nas mãos do público. Fico bastante curioso para saber que filme as pessoas vão montar em Dortmund.
Sem comentários »Muito além da Tela

O impacto de novas tecnologias audiovisuais vai muito além da tela do cinema; ele também se faz sentir em sua lógica de distribuição, modos de consumo e regimes de visualidade. Hoje, os sistemas de computação digital e as redes informáticas reconfiguram esses sistemas de distribuição, aumentando a participação do público nas dinâmicas do mercado de filmes. Um exemplo de projeto que investiga os novos rumos da circulação da produção audiovisual é o Torrent Raiders, criado por Aaron Meyers e Corey Jackson, e comissionado pela Rhizome. O projeto é na verdade um programa de visualização de fluxos de troca de arquivos em BitTorrent, um dos protocolos mais utilizados para a pirataria de filmes. Os usuários trocam informações sobre os arquivos em movimento, ajudando uns aos outros na busca de conteúdo compartilhado. Pensando nessa questão dos novos modos de consumo audiovisual, o Goldsmiths College (Universidade de Londres) realiza chamada de trabalhos para o seminário “Apesar da Tela: o cinema durante sua distribuição, exibição e consumo”, a ser realizado em novembro de 2010. O seminário internacional visa mapear projetos de pesquisa, com temática similar ao Torrent Raiders, que investiguem novas e velhas formas de distribuição, exibição e consumo de imagens em movimento. O envio de papers sobre este tema pode ser feito até o dia 11 de junho no e-mail besidesthescreen@gmail.com. Uma lista de temas sugeridos pode ser encontrada no blog do seminário. Para saber mais sobre o seminário, acesse o site http://besidesthescreen.blogspot.com/
Sem comentários »Documentário sobre o Second Life é lançado em Sundance
“Life 2.0″ documentary teaser from Jason Spingarn-Koff on Vimeo.
O documentário Life 2.0, o qual o blog do Instituto Sergio Motta vem acompanhando a produção desde março do ano passado, finalmente será lançado dentro do Sundance Film Festival 2009. O documentário é dirigido por Jason Spingarn-Koff , produtor de documentários que vive em Nova York e realizou um verdadeiro trabalho de campo ao seguir alguns interatores , dentro e fora do ambiente virtual, durante o período ápice da febre do Second Life. “Quando um jogo para de ser jogo?”, pergunta ele em seu site ao refletir sobre o impacto que o jogo causa na sua própria vida, que durante um ano esteve exclusivamente voltada ao projeto. Jason chegou a pedir doações para a continuação do projeto dentro do próprio ambiente virtual usando o avatar conhecido como Jay Spire e realizando eventos pagos dentro do game.
Sem comentários »Participante do TR2006 lança curta-metragem
No dia 19 de maio será lançado o curta Ilha das janelas fechadas de Lissandro Stallivierie. Lissandro participou do LABORATÓRIOS DE PROJETOS | RECOMBINAÇÕES AUDIOVISUAIS - remix, do projeto Território Recombinantes 2006, edição Porto Alegre. O enredo do filme conduz o espectador a refletir sobre as relações humanas nos dias atuais. Como uma fábula moderna, o filme conta, em treze minutos, a história de dois vizinhos solitários e de um casal em crise, personagens de classe média, cujos destinos serão alterados quando uma mulher misteriosa passa a habitar o prédio onde vivem. O curta além de ter a direção de Stallivieri, tem argumento original de Leandro Daros e Sheila Brambilla, fotografia de Janete Kriger e produção da Spaghetti Filmes. As imagens foram gravadas em ambientes reais e não identificados, na cidade de Caxias do Sul. No elenco estão atores da cidade com diversas participações no meio artístico gaúcho e nacional, como Elaine Braghirolli, Zica Stockmans, Priscila Webber e Jorge Luza. A trilha sonora do filme foi composta por Le Daros. O filme será projetado dias 19 e 20 de maio, no cinema do Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás, sempre em três sessões: às 20:00, 20:30 e 21:00 horas, com entrada franca. No dia do lançamento, após a projeção o público terá oportunidade de conversar com o diretor.
Sem comentários »Novos Formatos Audiovisuais com Kiko Goifman
FilmeFobia-O diretor Kiko Goifman apresenta seu filme no Cine Brasília.
Nesta quinta, dia 30 de abril, o grupo de pesquisa Netart apresenta o debate Novos Formatos Audiovisuais com Kiko Goifman, no auditório da PUC-SP, sobre o lançamento do primeiro longa-metragem de ficção de Goifman, FilmeFobia, grande vencedor do Festival de Brasília. Além do bate-papo, Chris Bierrenbach, diretora de arte do filme, expõe fotos do set em frente ao espaço EDUC. FilmeFobia de Kiko Goifman entra em cartaz em várias cidades brasileiras no dia 1º de maio de 2009. O filme participou de importantes Festivais Internacionais (Locarno, Rotterdam, Copenhagen, Cuba etc.) e foi o vencedor de cinco candangos em Brasília (Melhor Filme do Júri Oficial; Melhor Filme da Crítica; Melhor Montagem; Melhor Ator e Melhor Direção de Arte). Por onde passa, FilmeFobia vem levantando polêmicas. O filme mescla gêneros audiovisuais, e por isso, já participou de festivais em sessões integralmente dedicadas a filmes de ficção, bem como esteve presente em festivais só para documentários. Segundo o diretor Kiko Goifman “o filme é de ficção, mas não vejo o menor problema que alguns queiram vê-lo como um documentário. Porém, se fosse um documentário, uma hora dessas eu e Jean-Claude já estaríamos na prisão”. O debate com público acontece dia 30/04, 18h no auditório 334-A, da PUC-SP, e as inscrições para o debate podem ser feitas pelo e-mail netart.studies@gmail.com.
Sem comentários »Cinema Radical de Carlos Adriano
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O Imagem Pensamento é um evento mensal, em Belo Horizonte, que aproxima a exibição e a reflexão da produção audiovisual contemporânea. A cada mês é realizada a exibição de uma mostra audiovisual no Cine Humberto Mauro, da Fundação Clóvis Salgado, sempre seguido de debates com pesquisadores, teóricos e artistas. Nesta edição, é apresentado a mostra Cinema Radical de Carlos Adriano, com a exibição dos vídeos Remanescências e A Luz das Palavras. Carlos Adriano nasceu em São Paulo, em 1966, e é cineasta e doutor em Estudos dos Meios e da Produção Midiática pela USP. Também pela USP, é mestre em Estética do Audiovisual e bacharel em Comunicação/ Cinema. Teve projetos de filmes premiados por Ministério da Cultura (1997), Itaú Cultural (1998), Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (1999 e 2004), Petrobras (2001 e 2007) e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (2002). O Festival do Rio (2002) apresentou uma sessão especial de seus filmes e publicou no catálogo textos de Augusto de Campos, Caetano Veloso e Carlos Diegues sobre sua obra. O vídeo Remanescências (18’, 1994-1997) apresenta onze fotogramas da suposta primeira filmagem no Brasil (1897, Cunha Salles). Já A Luz das Palavras, de 1992, os luminosos de néon compõem música e letra para o céu imaginário. O Imagem e Pensamento sessão Cinema Radical de Carlos Adriano acontece no dia 18 de abril, a partir das 20 horas.
2 comentários »Second Life no cinema
A revista americana Variety divulgou informações de que a Universal estaria trabalhando junto com Gore Verbinski, diretor de Piratas do Caribe, para a criação de um filme baseado no mundo virtual Second Life. Segundo o site VideoGamer.com , o filme contará a história de um homem casado que fica obcecado com a vida virtual e mostrará o impacto de tais ambientes virtuais em vidas reais. Para a base do filme a Universal comprou os direitos de um interessante artigo publicado em 2007 pelo Wall Street Journal que conta a história de um homem de 53 anos que passa até 20 horas de seu dia na rede.Verbinski, que atualmente trabalha na adaptação do game Bioshock para as telonas, seria o nome mais cotado para a direção do filme, com Steven Knight, do indicado ao Oscar de 2004 por Coisas Belas e Sujas, na criação do roteiro, noticiou o site Digital Trends . O artigo da Variety não divulga outros detalhes como, por exemplo, a data prevista para lançamento do título.
Sem comentários »As experiências cinemáticas de Paulo Meira
Paulo Meira é formado em design industrial e programação visual pela UFPE. Trabalha com videoperformances, fotografia, instalações e pinturas desde o início da década de 90. Sua obra é carregada de simbolismos e habitada por criaturas bizarras que referenciam personagens retratados na obra de pintores históricos como Velázquez ou Brueghel. Em suas instalações aproxima objetos usualmente separados, altera suas dimensões, atribuindo-lhes novos sentidos e significados. É parte importante de sua obra pesquisas sobre o corpo, realizadas através de performances registradas em vídeo. Seu projeto Marco Amador-sessão cursos foi o vencedor do prêmio bolsa fomento da última edição do prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Neste trabalho é proposto a realização de uma videoinstalação que pretende uma nova experiência da obra em vídeo com a aplicação de conceitos como transcinema e cinema de imersão. Um homem de olhos vendados entrega-se aos cuidados de uma palhaça como sua guia. Ao longo do vídeo são alternadas imagens desta situação, ora em um jogo de quebra-panelas (substituídas por reproduções em argila da cabeça do homem vendado), ora em um atravessar por paisagens/lugares diversos (cachoeira, abismo, bosque, ruínas de uma antiga construção, meio de uma auto-estrada, entre outras). Assim, ao adentrar na videoinstalacao, nenhuma imagem é previamente oferecida ao espectador. Estas surgem a partir da sua presença e deslocamento, captadas por dispositivos sensores de presença. Aqui, a condição do espectador se aproxima do homem vendado que não possui nenhuma consciência prévia do devir através da visão.
Sem comentários »Cine Falcatrua
vídeo que documenta o projeto KinoArcade de 2006
Um dos participantes da última edição do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, o Cine Falcatrua é um projeto de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo que busca repensar a indústria cinematográfica através do uso de tecnologias digitais, e problematizar a distribuição e exibição audiovisual dentro de uma nova ecologia de mídias. No fim do ano passado, o projeto foi processado por promover exibições públicas de cinema usando cópias de filmes ilegais obtidas através da Internet. O caso é o primeiro no Brasil a envolver a questão dos downloads ilegais de conteúdos audiovisuais pela rede. Um outro objetivo do projeto é ser uma sala de projeção nômade, que utiliza equipamentos caseiros, pregando a filosofia do DIY (do it yourself) e por isso, a ênfase em exibições piratas. Além de projeto, o Cine Falcatrua é um coletivo que também produz, distribui e exibe seus próprios filmes, exemplo foi o KinoArcade, que além de mostra de filmes, foi um vídeo feito a partir de engines de games 3D, em partidas disputadas ao vivo no telão, testando os limites do jogo como ferramenta de criação e como espetáculo cinematográfico. Atualmente o grupo se dedica a seguir o mote do projeto organizando regularmente mostras de cinema, como o festival CortaCurtas, que teve menção honrosa pelo Prêmio Sergio Motta.
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