Blog do Instituto Sergio Motta

Arquivo da categoria ‘bioarte’

O reino sintético de Alexandra Daisy Ginsberg

The Synthetic Kingdom from Daisy Ginsberg on Vimeo.

Alexandra Daisy Ginsberg é uma artista interdisciplinar britânica que explora as implicações da biotecnologia dentro das artes. Residente do Design Interactions Department do Royal College of Arts de Londres, Alexandra apresenta uma pesquisa denominada The Synthetic Kigndom, onde investiga as possibilidades de uso do reino microbiológico para a produção de materiais sintéticos. O trabalho incluí um profundo questionamento em relação ao futuro científico e os limites entre o natural e o artificial. Um exemplo é o projeto E.Chromi, desenvolvido em parceria com estudantes de Cambridge. Partindo do princípio denominado máquinas genéticas de engenharia, a artista conseguiu que a bactéria E.Coli, presente no corpo humano, produzisse pigmentos coloridos sintéticos. Atualmente, Alexandra integra a mostra anual do Design Interaction Departmen, apresentando uma série de propostas através do uso de bactérias para a produção de materiais e dispositivos bio-máquinicos.

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Revoluções Verdes

bio.display - trabalho do artista Mároy Ákos

A Green Revolution (Revolução Verde) teve início na década de 50, e seu objetivo foi o de aumentar a produção agrícola de alimentos com o uso de técnicas industriais e biotecnologia. Atualmente, alguns especialistas afirmam que esse processo permitiu que a produção agrícola mundial acompanhasse o ritmo do crescimento das populações, porém não considerou o impacto ambiental desse avanço. Partindo dessa questão, a exposição Green Revolution, que acontece no espaço Nieuwe Vide, em Haarlem, Holanda, apresenta uma série de trabalhos de artistas que investigam e questionam as mutações provocadas no meio ambiente e no clima causadas pela indústria agrícola. Um exemplo é o trabalho bio.display, do artista húngaro Mároy Ákos, que tem como objetivo criar uma amostra feita de milhões de bactérias fluorescentes geneticamente modificadas. O projeto é inspirado pelo trabalho GFPixel, um display luminoso feito de bactérias fluorescentes e não fluorescentes, criado por Reinhard Nestelbacher e Gerfried Stocker. O trabalho de Ákos utiliza bactérias da espécie E-Coli modificadas pela inserção de uma proteína camada TorA-Green Fluorescent. As bactérias E-Coli equivalem as unidades de pixels e podem ser ligadas e desligadas através da alteração do pH das amostras.

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Poéticas da genética

Edunia - flor genéticamente alterada para expressar o gene do artista Eduardo Kac

A “História Natural do Enigma” é o novo trabalho do bio-artista brasileiro Eduardo Kac. A obra foi desenvolvida entre 2003 e 2008, e tem como tema central a criação de um plantimal, uma nova forma de vida que Kac criou e que ele chama Edunia, uma flor criada através de engenharia genética que é um híbrido do artista e da Petunia. A Edunia não é encontrada na natureza. Ela tem veios vermelhos e pétalas cor de rosa. O gene que Kac selecionou de seu próprio genoma é responsável pela identificação de corpos estranhos. Ou seja, nesta obra é precisamente aquilo que identifica e rejeita o outro que o artista integra no outro, criando assim uma nova espécie de ser que é parcialmente flor e parcialmente humano. O resultado desta manipulação molecular é uma planta que cria a imagem viva de sangue humano correndo nas veias de uma flor. Este trabalho é uma reflexão sobre a contigüidade de vida entre as diferentes espécies. Na expectativa de um futuro no qual Edunias sejam acessíveis e plantadas por toda parte, Kac criou um conjunto de Edunia Seed Packs (Pacotes de Sementes da Edunia), que estão incluídos na exposição. O trabalho História Natural do Enigma será exibido de 17 de abril a 21 de junho de 2009, no Museu de Arte Weisman, em Minneápolis, EUA.

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Salada binária

Fruit Computer Laboratory

Interactivos?09 tem por objetivo explorar as práticas, onde a arte, a ciência e a tecnologia se encontram. Os participantes são convidados a transformar o Medialab Prado, localizado em Madri, em um laboratório de garagem onde materiais acessíveis são usados para desenvolver os objetos e instalações que combinam software, hardware e biologia. Um exemplo é o Fruit Computer Laboratoryde Alejandro Tamayo. Uma das tendências apontadas por meios de comunicação especializados é a previsão de que dentro de 10 a 15 anos surjam no mercado computadores híbridos, que funcionam com uma combinação de tecidos orgânicos e componentes mecânicos. O projeto do Fruit Computer Laboratory propõe criar um laboratório provisório, aberto ao público geral, que levantará perguntas e reflexões sobre a construção de um futuro computador, composto por frutas. Alejandro Tamayo não precisou utilizar de tecnologia avançada para investigar a possibilidade de construir esse computador orgânico. Para isso, começou com o conhecimento clássico de qualquer químico amador: partiu do fato de que as reações químicas nas frutas podem produzir um fluxo elétrico. A eletricidade da fruta foi extraída através de um dispositivo eletrônico pequeno e foi usada para iluminar um diodo LED. Mas o grande desafio, para um experimento como esse (de trabalhar com uma memória orgânica) é o de extrair a informação do medidor de Ph sem afetar a própria medição. Atualmente, o objetivo principal do laboratório de frutas é construir uma memória orgânica composta de pelo menos 88 bits. Com essa memória seria possível palavra ou sentença de 11 caracteres utilizando o código do ASCII.

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Jogo Genético

Dialéctica - trabalho de Fernanco Velázquez e Julià Carbonera

A obra Dialéctica, do uruguaio radicado em São Paulo, Fernando Velázquez e da espanhola Julià Carbonera, foi uma das grandes vencedoras do prêmio Incentivo a produção Iberoamericana do festival Vida 11 da Telefônica de 2008. O trabalho propõe uma instalação que permite gerar em diálogo audiovisual entre dois computadores utilizando dados genéticos dos autores, Fernando e Julià. Em uma sala escura duas projeções darão vida à ambas matrizes gerando imagens que permitem visualizar a informação genética em gráficos. A comunicação gerada pelos dois computadores rege seu código a partir da descoberta das debilidades um do outro, por exemplo, as marcas dadas pelos códigos de enfermidades biológicas do DNA dos artistas. A instalação se trata de um jogo generativo, cujo final é marcado pelo colapso de um dos computadores, dando passo à uma nova partida que reinicia o processo de geração e intercâmbio de dados. A obra pretende refletir sobre os questionamentos éticos que se extraem da alarmante tendência atual em que o acesso e manipulação de os dados pessoais se tornam uma prática habitual e comum.

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O Blog de Midori-San

midori san  - plantinha que agradece pela emissão de luz em seu próprio blog

Um experimento no Japão criou um blog muito popular que, inusitadamente, é escrito por uma planta. Usando tecnologia desenvolvida pelo professor Satoshi Kuribayashi da Universidade de Keio, uma interface botânica mede as informações, como o fluxo bioelétrico das folhas, umidade do ar e do solo, temperatura ambiente, iluminação, etc. Esses dados são exibidos e interpretador por um gerador de frases que reflete o “estado de espírito” da plantinha denominada Midori-san, uma suculenta da espécie Hoya kerii. O blog ainda disponibiliza um widget para acionar a lâmpada fluorescente que ilumina a plantinha. Uma vez que a lâmpada é ativada, o widget mostra em tempo real a imagem de Midori-san sob a luz e como resposta, a plantinha agradece a interação através dos “posts” em seu blog.

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A bioart de Marta de Menezes

proteic portrait - imagens da proteína feita com o nome de Marta de Menezes

A artista portuguesa Marta de Menezes vem se dedicando a projetos que transitam pela arte e pela biologia desde que iniciou sua residência no Clinical Sciences Centre de Londres. Seu projeto Nature? tem por resultado a criação de várias borboletas cujas as asas possuem padrões não existentes na natureza. Marta “programou” as células de pigmentação de uma das asas de cada borboleta da espécie Byciclus e Heliconius para que formassem desenhos feitos por artistas. O resultado são asas assimétricas onde uma das asas é natural e outra não. ” Através dessas assimetrias tentei mostrar as diferenças entre o manipulado e o natural”, comenta. No trabalho Functional Portraits, Marta utiliza um aparelho de Ressonância Magnética para captar as áreas ativas do cerébro de artistas enquanto exercem uma tarefa como tocar o piano ou pintar. Dando continuidade a relação entre imagem e biologia estrutural, Marta realizou o trabalho Proteic Portraits, onde a artista cria escultaras biomoleculares com seqüencias de proteínas. ” As proteínas são compostas por 20 aminoácidos, cada um representado por uma letra. Eu usei o um software para criar uma seqüencia de aminoácidos que fosse organizado com as letras do meu nome completo”, explica a artista. O resultado é a proteína MARTAISAVELRIVEIRDEMENESESDASILVAGRACA , que foi visualizada através de processos de cristalografia e ressonância magnética.

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O corpo em evidência de Justine Cooper

Charles, 2008 - fotografia de Justine Cooper

Justine Cooper possui um interesse pelas possibilidades estéticas da ciência. A artista australiana é conhecida por vasculhar, durante o período de um ano, os depósitos do American Museum of Natural History de Nova Iorque. O resultado de sua investigação está, agora, reunido na exposição Terminal , exposta na galeria Daneyal Mahmood. De acordo com uma entrevista dada ao Trace Blog, Justine afirma que sua exposição é inspirada em retratistas do fim do século XIX e pelo trabalho científico de Bernice Abbott. O objeto das fotografias são bonecos e robôs usados em treinamentos de procedimentos médicos. Estes “atores” são altamente sofisticados e desenvolvidos especialmente para simular traumas humanos e serem usados na aprendizagem de médicos cirurgiões. Além de abordar a humanização dos manequins pelos usuários, a artista apresenta a instalação RAPT II, feita de imagens de pedaços do próprio corpo que foi scaneado em três dimensões após seis horas submetida à um aparelho de ressonância magnética.

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“Art is not terrorism!”

Marching Plague - obra de Steven Kurtz que recria um experimento militar britânico

Um processo que já dura quatro anos, pode estar chegando ao fim. Na última segunda-feira , dia 21 de abril, o juíz federal do estado de Nova Iorque, Richard J. Arcara ordenou que acusação contra o professor e artista da University of Bufalo, Steven Kurtz fosse retirada. Para quem não sabe, Kurtz é um dos nomes mais proeminentes das artes nessa última década. Co-fundador do Critical Art Ensemble, é um dos principais artistas a investigar as relações entre arte e biotecnologia e por isso, ganhador de inúmeros prêmios. Em junho de 2004, Kurtz foi indiciado por causa de sua correspondência com o professor de genética da University of Pittsburgh, Dr. Robert Ferrell. O artista negociava com o professor uma bactéria inofensiva que seria usada em uma exibição de arte educacional sobre biotecnologia organizada pelo Critical Art Ensemble. Graças ao caso de Kurtz um fundo de defesa foi criado para apoiar a causa do CAE e do artista. O CAE Defense Fund, além de angariar fundos para o extenso e polêmico processo, se tornou um site que discute questões sobre os limites da ética, da arte e além de ser um blog que acompanhou todo o processo judiciário do caso. O slogan “Art is not terrorism”, criado após a acusação contra Kurtz, se tornou um mote e pode ser encontrado em outros sites especializados, como é o caso do blog We make money not art. Além disso, um documentário sobre o caso, Culturas Estranhas, foi produzido especialmente para narrar como Steven Kurtz foi indiciado por bioterrorismo, já que o artista era proibido por lei de falar sobre o assunto.

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Sleep Walking

Sleep walking - robô usado para monitorar as atividades cerebrais durante o sono

Usando ondas cerebrais gravadas e o movimento dos olhos durante o sono, Fernando Orellana e Brendan Burns desenvolveram um trabalho pioneiro na investigação de interfaces entre robôs e humanos. Conectado por um eletroencefalograma e um eletrocardiograma, Fernando teve sua atividade cerebral monitorada por um robô que traduzia os dados em movimentos, inclusive o movimento dos olhos, reproduzidos pelos olhos do robô (uma câmera), que repetiam exatamente o movimento dos olhos em estado REM. Sleep Walking, nome do projeto, se deve ao fato de o robô basear os seus movimentos em cima dos dados da atividade cerebral, por exemplo, durante um sonho. “O projeto é uma metáfora para o que futuro possa vir a ser. È possível que no futuro tenhamos tecnologia suficiente para gravar os sonhos exatamente como fotografias ou filmes”, afirma Fernando. Por enquanto, o robô é capaz apenas de reproduzir os movimentos gravados durante uma noite de sonhos. O resultado do projeto Sleep Walking foi apresentado como uma instalação durante a mostra BRAINWAVE: Common Senses, e agora segue para o uma exibição, a partir do dia 12 de maio, no LaBoral, Espanha.

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