Arquivo da categoria ‘estéticas tecnológicas’
Nas origens do copy and paste
John Baldessari é um dos mais importantes artistas conceituais do último século. Durante a década de 1960/70, pôs em xeque as noções sobre a autenticidade e a relevância do tema ao pagar pintores para que o copiassem como melhor. Dessa forma adiantou questões atuais à cultura digital como as noções de autoria e remix. No vídeo acima, o artista apresenta sua própria visão das origens da cultura copy and paste. Baldessari passeou por diferentes suportes como pintura, fotografia e cinema, dispondo as imagens em sequência com o objetivo de despertar diferentes cenários e diferentes narrativas. Influenciado pela semiótica e o estruturalismo, sobretudo pelo cinema francês da Nouvelle Vague, especialmente o de Jean-Luc Godard. O artista utilizou muitas vezes em suas obras as técnicas da montagem e recorreu à desconexão entre a imagem e a palavra.
Sem comentários »Arte Open Source na Campus Party 2010
No dia 27, durante o Campus Fórum Criatividade, Giselle Beiguelman (Diretora Artística do Instituto Sergio Motta, midiartista e professora da PUC-SP), André Mintz (projeto Marginália) e Ivana Bentes (Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, midiativista e curadora ) participaram do debate Arte Open Source, que discutiu a importância de projetos como Processing, Puredata, Arduino, como exemplos de estéticas emergentes de uma arte colaborativa e aberta a distribuição de seus códigos. Giselle Beiguelman iniciou sua fala destacando algumas relações da produção brasileira atual. Foram apresentados os trabalhos em artemídia de alguns dos artistas indicados e vencedores do 8º PSM, que segundo a artista e curadora, sugerem uma tendência tecnofágica que funde tradição e inovação, hi & low, hibridismo. Essa nova tendência não teria a ver com uma estética do precário, e sim sobre a ressignificação das relações micropolíticas e o agenciamento de coletividades. “Antes o que definia um trabalho como arte era o seu contexto, hoje uma obra de arte é uma ação que problematiza o circuito. O que me interessa nas estéticas tecnológicas são as estéticas processuais que essas geram”, afirmou Giselle. Como exemplo dessa estética Tecnofágica, foram citados os trabalhos do Metareciclagem, Fernando Rabelo, Jarbas Jácome Raquel Kogan, Mariana Manhães, dentre outros artistas do 8º Prêmio Sergio Motta. Já Ivana Bentes discutiu a perspectiva da arte open source sobre a questão dos códigos e processos de criação. A pesquisadora afirmou que “vivemos em mundo over-codficado, onde seres-remixes são gerados, patenteados e construídos em laboratórios”. Para discutir a questão dos códigos no campo da arte, Ivana citou o livro “O conhecimento Secreto”, de David Hockney, onde o autor fez uma busca na história ocidental pela produção de processos e estilos artísticos, onde a concepção de autoria estaria ligada aos seus diferentes contextos históricos que mudaram ao longo dos tempos. Ivana falou sobre esse percurso da arte e sua mudança com a chegada das redes digitais onde há uma epidemia de colaborativismo, que dialoga com a necessidade de um processo no qual as obras não sejam mais produtos fechados. “A arte open source tem como base uma cultura e práticas de criação de apropriação, compartilhamento, remix”, afirma Ivana Bentes. Por último, André Mintz finalizou o debate falando sobre o Projeto Marginália e o Marginália Lab, que além de apresentarem trabalhos em artemídia com o feitos com programas open source, também realiza oficinas de criação colaborativa e aprendizagem em códgios abertos. O artista citou a importância do open source como main stream na produção artística. “O conceito de marginália que vai além da idéia marginal, lembrando dos espaços em livros (as margens) abertas às anotações”, afirmou. Mintz citou a consolidação do uso e desenvolvimento de ferramentas livres, da orientação de instituições e festivais à propostas de open source.
Sem comentários »Melhores de 2009-Estética do banco de dados

Inspirado pelo termo “Estética da Informação”, cunhado por Lev Manovich, o blog Infoesthetics explora a relação entre o design criativo e a visualização gráfica da informação. Mais especificamente, o site faz uma coleção de projetos que apresentam dados ou informação de maneira original e inusitada. Desde de sua concepção em 2004, outros termos foram introduzidos acadêmicamente para fenômenos similares, como por exemplo, Visualização estética da Informação , Visualização casual da Informação à Visualização artística de dados. O responsável pelo site é o professor Andrew Vande Moere do Design Lab da Faculdade de Arquitetura, Design e Planejamento da Universidade de Sidney. Sua pesquisa investiga a visualização de dados desde interfaces televisivas , arquitetura de mídias e aplicações mais artisticas da visualização de dados.
Sem comentários »Melhores de 2009-AIDS-3D
O AIDS-3D é composto pela dupla de jovens artistas americanos Daniel Keller e Nick Kosmas. A dupla atualmente reside em Berlim e se dedica a produzir uma arte subversiva com influência da cultura ciberpunk. Seus trabalhos consistem em discutir as promessas não cumpridas pela emergência de novas tecnologias e o modo como somos influenciados por essa falha. Alienação, auto-preservação, reprodução e construção de estilos de vida são temas freqüentes em suas performances, esculturas, e instalações, que frequentemente utilizam lasers, cabos eletroluminescentes, e velharias tecnológicas. A performance Digital Awakening, realizada em setembro de 2008, é um exemplo da filosofia apocalíptica dos rapazes,onde dois possíveis cenários mundiais são simulados através das parafernálias comuns à dupla. A primeira simulação é de um futuro onde a Terra sofre uma desastrosa crise energética, que leva a guerra, a fome e ao colapso do sistema capitalista”. A outra possibilidade simulada é a de um futuro onde a humanidade vive em mundo de tecno-utópico, onde as ferramentas de comunicação e tecnologia futurística são mantidas através de fontes de energia alternativa.
Sem comentários »Melhores de 2009-Antlers Wifi by Rich Silva
Rick Silva nasceu no Brasil em 1977, mudou-se para os EUA com a família aos 10. Estudou cinema na Universidade do Colorado, e fez pós-graduação na European Graduate School (Suíça). Atualmente leciona Digital Media and Technology no Alberta College of Art and Design, em Calgary, no Canadá. Segundo Marisa Olson, importante curadora americana na área de arte e mídia, Silva possui inúmeros talentos bem quanto múltiplas personalidades. Conhecido sob o pseudônimo de Abe Linkoln, o artista estudou sob a orientação de Mark Amerika, um dos mais proeminentes artistas multimídia dos EUA, e com ele realizou inúmeras colaborações. Como Linkoln, Silva antecipou o movimento netart “pro-surfer” ao realizar o trabalho Screenfull.net, o qual tem por lema “we crash your browser with content”, algo como “detonamos seu browser com conteúdo”. Seu trabalho mais recente Antlers Wifi é uma mescla das afinidades estilísticas de seus trabalhos anteriores realizados sob o seu pseudônimo. A obra se apropria de uma estética crtlc/ctrlv ao realizar animações digitais. O site é composto de colagens digitais em multi-camadas e serve de referência à outra influência do artista: Stan Brakhage, com quem Silva também estudou. Brakhage é conhecido por seus filmes em composição performática e colagens. Antler Wifi é realizado sob a premissa de uma blog-art, onde a estética dos bancos de dados e a sobreposição da informação são a composição da obra.
Sem comentários »Melhores de 2009-Internet em pictogramas
“History of the internet” é um documentário animado que explica as invenções de conceitos e protocolos como time-sharing e filesharing, e o caminho da Arpanet até a Internet dos dias de hoje. A história é contada usando os Pictogramas desenvolvidos pelo projeto PICOL, que também estão disponíveis para download. O PICOL foi criado com o objetivo de ser uma base de fornecimento livre de ícones abertos para dispositivos eletrônicos. O objetivo é encontrar uma língua pictórica comum para uma comunicação eletrônica e facilitar a navegação. Todos os ícones são de uso livre e abertos para alterações. O projeto Picol teve início em 2008 como trabalho de graduação do designer Melih Bilgil. Bilgil graduou-se na Universidade de Ciências Aplicadas em Mainz, Alemanha e também é o diretor da animação acima.
Sem comentários »Máquina de controle da mente é recriada por artista britânico
O artista britânico Rod Dickinson é um especialista em recriar eventos históricos e máquinas usadas durante o período da revolução industrial inglesa. Ganhou notoriedade na década de 90 ao realizar os famosos crop circles em plantações no interior da Inglaterra. O atual projeto de Dickinson vem ganhando destaque pelo seu caráter excêntrico. O artista reconstruiu uma suposta máquina de controle da mente, projeta no século XVIII e conhecida como The Air Loom. O invento foi criado por James Tilly Mathews, suposto espião britânico que passou sua vida em constantes internações em manicômios. Até o momento a máquina só existia no papel, até que Dickinson tomou contato e resolveu reconstituir o experimento como forma de reflexão sobre os dispositivos controle dos corpos durante a história da vigilância. Teoricamente a máquina funcionaria pelo uso da força magnética “operada por hábeis químicos pneumáticos que controlariam uma mistura de líquidos ejetados pela máquina em direção à pessoa submetida.” A máquina seria usada em pacientes e internos de hospícios e asilos, e posteriormente seria pensada como uma arma de ataque. A máquina possui as medidas de 10m x 10m x 6m, feita em carvalho, brone e couro e se encontra exposta na e Laing Gallery, em Newcastle, Inglaterra.
Sem comentários »Realidade ou Ficção Científica?
Chapter I: The Discovery from OtherSounds on Vimeo.
A instalação Chapter I: The discovery foi criada pelo artista espanhol Félix Luque Sánchez e atualmente se encontra exposta no LABoral – Centro de Arte e Criação Industrial, localizado em Gíjon , Espanha. Trata-se de um objeto geométrico que emite um código constituído de luz e som. A obra questiona a percepção do espectador sobre a veracidade do que é mostrado, traçando um percurso que começa com a observação de uma série de vídeos que apresentam imagens sintéticas e termina com o encontro com um objeto físico e interativo. Segundo o artista a obra faz uma brincadeira com questões filosóficas fundamentais do tipo: “Como é possível controlar o desenvolvimento tecnológico e sobre que base ética devemos construir sua finalidade? Quem tem o direito de ditar as normas para as máquinas? Serão as máquinas capazes de destruir-nos?” Para responder as perguntas, o objeto, uma mistura entre o monólito da história 2001: Uma Odisséia no espaço e do brinquedo Genius, reformula essas questões modernas mediante o uso de imagens próprias da cultura popular e da Ficção Científica. A escultura responde a presença dos interatores e mostra vontade de se comunicar. A interação e os comportamentos resultantes imitam sistemas de inteligência artificial. “O objetivo da instalação é o de renovar um velho fundo cultural, interrogar os limites de nossa concepção sobre a inteligência artificial em nosso imaginário coletivo sobre a ficção científica”, comenta Félix. Para saber mais sobre Chapter I clique aqui
Sem comentários »Fun Design

O artista plástico Kyle Bean nasceu em Devon, Inglaterra, e está finalizando o curso de ilustração pela Universidade de Brighton. Seus trabalhos envolvem o uso de idéias criativas para a apropriação artística do design de produtos através da animação e de esculturas. Entre os clientes do artista, estão a Ford, o New York Times e a BBC. Seu trabalho já foi citado pelo livro Tangible: High Touch Visuals e pelas revistas Computer Arts e ARC Design, do Brasil. Recentemente, o artista trabalhou junto ao estúdio de animação Kanoti. Um dos exemplos dos trabalhos de Bean é o Mobile Evolution: Miniaturisation in the style of a Russian Doll, onde o artista se inspira nas matrioskas, tradicionais bonecas russas que se encaixam uma dentro da outra. O artista plástico reproduz a dinâmica das bonecas, porém substituindo-as por celulares. O objetivo é construir uma linha evolutiva da miniaturização dos aparelhos telefônicos desde a década de 80. O artista usa como aparelho maior um dos primeiros modelos da Motorola, o Motorola DynaTac, surgido na década de 80, e finaliza com iPhone.
Sem comentários »Estética do Além

A primeira vista, o tema da exibição ‘Awake Are Only the Spirits’ – On Ghosts and Their Media,parece de alguma maneira desacreditado artisticamente: a presença do sobrenatural, da manifestação dos espíritos, e a (trans)comunicação com o “além” facilitada pelas mídias. Essa mostra é baseada nos arquivos de audiotape de Friedrich Jürgenson, que descobriu, as assim chamadas, Eletronic Voice Phenomenon (EVP) em 1959. Tomando como ponto de partida o interesse atual de alguns artistas contemporâneos pelo tema, a exibição tem o objetivo de contar uma “história de fantasmas” que explora as questões do porque, apesar de todo ceticismo científico de nossos tempos, estes Fenômenos tidos como irracionais são registrados com o uso de novas mídias e tecnologias de comunicação, que acabam por “funcionar” como um canal de mediação para estes acontecimentos. Todos os projetos são executados por mais de 20 artistas de diferentes partes do mundo, participando de algum modo com questões que perpassam a existência de fantasmas, a exploração da integração das novas mídias e tecnologias em contextos espiritualistas. Tornando assim, visível o invisível, e expondo as implicações políticas, bem como a estética desse fenômeno de trans-comunicação na contemporaneidade. Entre os artistas da mostra, está o aclamado cineasta francês Chris Marker. A exposição ‘Awake Are Only the Spirits’ – On Ghosts and Their Media teve início no dia 15 de maio, em Dortmund, Alemanha, no Hartware MedienKunstVerein (HMKV), com curadoria de Inke Arns e Thibaut de Ruyter .
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