Balanço geral do 8º PSM- entrevista com Giselle Beiguelman
Arthur Omar, Gisela Motta e Leandro Lima, Rejane Cantoni, Camila Sposati e Fernando Velázquez, Fernando Rabelo, Jarbas Jácome e Carlos Fadon Vicente são os artistas contemplados pelo 8º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Os primeiros recebem os quatro prêmios da categoria Meio de Carreira; Fernando Rabelo e Jarbas Jácome são os contemplados na categoria Início de Carreira; e Carlos Fadon Vicente, pioneiro das experimentações envolvendo tecnologias digitais no Brasil, é o premiado hors concours. Confira a entrevista onde Giselle Beiguelman, diretora artistica do Prêmio Sergio Motta, avalia a produção dos artistas vencedores e faz uma análise geral dessa 8ª edição.
Como você avalia essa 8º Edição do Prêmio Sergio Motta?
Foi uma edição de grandes mudanças. As principais foram a abertura de uma carteira de premiação voltada apenas a artistas em início de carreira e o julgamento dos artistas baseado na leitura de seu portfólio. Contudo, a ação mais importante desta edição ainda está por acontecer. É o Fórum Internacional sobre as Perspectivas Criativas e Críticas da Arte e Tecnologia. Ao invés de investir em cerimônias de premiação, vamos abrir um espaço de discussão e reflexão, com artistas, criadores e críticos internacionais e brasileiros. Isso deve alavancar um processo de intercâmbio sem precedentes e que contemplará todos os artistas selecionados nessa edição. O grande prêmio, contudo, ficará com os artistas premiados que disporão de reuniões fechadas com esses convidados para leitura de seus portfólios. É uma atividade inédita e uma ação que tem como foco algo que me parece mais difícil do que a premiação em si: a inserção do artista no circuito da artemídia internacional.
Como você avalia a produção artística dos premiados desta edição?
Friso, mais uma vez, que premiados, para mim, são os 34 artistas selecionados entre os quase 300 que se inscreveram. O diagnóstico que faço é em cima desse universo. São projetos que problematizam a tecnologia no campo estético e que operam leituras transdisciplinares da contemporaneidade, jogando com saberes e conceitos da arte, da ciência e da comunicação. Especialmente no caso dos artistas em início de carreira, nota-se uma presença maior e mais contudente de projetos com densidades políticas e ativistas que fazem um saudável contraponto a grande parte da produção que concorreu ao prêmio destinado a artistas em meio de carreira. Esses artistas que concorreram na categoria de início de carreira mostraram também que já são uma geração letrada digitalmente. São, por isso, capazes de operar com as linguagens de programação como linguagens de criação e expressão. Para eles as mídias e as tecnologias não são apenas ferramentas de trabalho. São o fundamento de suas estéticas.
Essa foi a primeira edição do Prêmio Sergio Motta sob sua direção. Como você avalia essa primeira experiência?
Quem avaliará são os meus pares. Pessoalmente posso dizer que fiquei muito satisfeita em ter conseguido implantar tantas mudanças no processo de inscrição e premiação, com destaque para o trabalho que começará a ser feito no Fórum Internacional de novembro.
Quais serão os próximos passos?
Trabalhar a divulgação, a itinerância e a internacionalização dos artistas selecionados e premiados com publicações especiais, em publicações especializadas e em exposições e eventos científicos nacionais e internacionais. Já estamos trabalhando nessa direção.
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