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Selecionados 8º Prêmio Sergio Motta- Entrevista com Marcus Bastos

Comissão de seleção do 8º Prêmio Sergio Motta - Mabuse (a esquerda), Marcus Bastos (ao centro) e Yara Gasque (a direita)

A comissão de seleção do 8º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia anuncia os 34 artistas indicados aos prêmios de 2009, entre 286 inscritos. Formada por Mabuse (pesquisador e artista), Marcus Bastos (professor da PUC-SP e artista multimídia) e Yara Guasque (professora da UDESC e artista em mídias digitais), o trio afirma em um breve statement, disponível no site do Instituto Sergio Motta, que a seleção privilegiou os trabalhos marcados “pela desconstrução de dispositivos, pela ênfase em práticas de programação, pelo diálogo com poéticas de rede, pela execução em tempo real e pela apropriação da tecnologia de uso corrente em configurações imprevistas que extrapolam as linguagens de recepção, mais habitual no contexto da arte contemporânea.” Em uma entrevista, o presidente da comissão de seleção, Marcus Bastos, nos fala do processo de análise dos portfólios, sobre os critérios de seleção e sobre a problematização da tecnologia nos trabalhos dos artistas selecionados.

Quais foram os critérios de seleção levados em conta na análise dos portfólios?

Os critérios de seleção que tiveram maior peso na análise dos portfólios inscritos na 8ª edição do Prêmio Sergio Motta foram aderência ao seu universo estético, consistência do conjunto de obras reunidas nos portfólios, e currículo do artista concorrente. Com menor peso, a forma de apresentação do portfólio também foi levada em consideração (edição do material, clareza na explicação das obras, qualidade técnica e inventividade do material, etc). Estes critérios tinham por objetivo equalizar diferentes aspectos das obras inscritas. Cabe explicar um pouco mais o que foi considerado o escopo estético do Prêmio, na medida em que as chamadas poéticas tecnológicas não têm uma definição estática. Elas são bastante marcadas por um diálogo com procedimentos estéticos e tecnologias existentes num determinado período histórico. Diante do universo de trabalhos inscritos, o júri considerou aderentes ao universo do 8º PSM trabalhos marcados pela desconstrução de dispositivos, por práticas de programação, reconfiguração de hardware, uso de redes e execução em tempo real. Um fator considerado importante foi a capacidade de se apropriar de tecnologias cotidianas de formas inesperadas. Outros aspectos valorizados: o olhar crítico para os usos da tecnologia, o estímulo à democratização de ferramentas e construção de redes colaborativas, capacidade de explorar as possibilidades, que as mídias digitais permitem, de difusão de conteúdo para além dos circuitos de comunicação e arte mais estabelecidos.

Em que medida os artistas selecionados problematizam a tecnologia no campo estético, diretriz principal da gestão atual do prêmio?

A problematização estética da tecnologia apareceu de forma mais evidente nos portfólios de artistas em início de carreira. Nesta categoria, apesar da diversidade de vertentes, houve certa homogeneidade em termos de uso de procedimentos mais típicos das poéticas que surgem conforme as mídias digitais e as tecnologias de rede tornam-se cotidianas. No caso dos artistas em meio de carreira, houve mais diversidade. Faz sentido, ainda que não seja um assunto simples. Diante da velocidade com que surgem novas tecnologias, é esperado que seu uso assuma um caráter geracional. Por outro lado, os procedimentos de desconstrução das mídias emergentes têm uma lógica que transcende a relação mais direta com os dispositivos usados. Os melhores artistas da área são aqueles que conseguem adensar suas poéticas sem perder de vista este sucesso de tecnologias que vão surgindo e redesenhando o contemporâneo. Além disso, obviamente esta divisão geracional não pode ser entendida de forma rígida, nem pode ser generalizada. Entre os portfólios analisados, foi possível identificar artistas jovens flertando com estéticas mais “vintage”, por exemplo. E houve artistas de trajetória mais extensa que demonstraram grande capacidade de diálogo com as mídias emergentes. É significativo que os inscritos no 8º PSM indiquem um cenário como o descrito acima, o que certamente pode ser representativo de uma tendência mais ampla. È preciso dar atenção a este cenário, na medida em que o Prêmio busca abarcar um universo de excelência em uma área que, tomando os inscritos desta oitava edição como amostra representativa, parece se definir de forma mais explícita em poéticas emergentes.

Esta edição do Prêmio Sergio Motta contemplará artistas em início de carreira e artistas com a carreira já consolidada. Existem diferenças na produção desses grupos, para além da diferença geracional?

É possível apontar algumas diferenças. No conjunto de inscritos, uma coisa que chamou atenção foi a quantidade de artistas em início de carreira que exploram o universo da música e do som. Este cruzamento entre cultura pop e erudita, entre comunicação e arte, o desaparecimento de fronteiras mais rígidas entre formatos, são facetas da cultura urbana que constituem ingredientes importantes do cenário abarcado pelo Prêmio Sergio Motta. Mesmo assim, o processo de seleção se pautou por uma distinção entre o universo da música propriamente dita e o universo da pesquisa com som e tecnologia, procurando destacar trabalhos em que o resultado estivesse atrelado ao uso de equipamentos e softwares para pesquisa com timbres, ou à construção de instrumentos (por exemplo, com técnicas de circuit bending). Uma lógica semelhante orientou a análise dos trabalhos nas demais categorias. Outra característica mais presente nos portfólios de artista de início de carreira foi o recurso ao humor e à ironia, ainda que isto seja provavelmente circunstancial, e não uma marca geracional: há nomes importantes na história da arte feita com meios eletrônicos e digitais que tem trabalhos tão irônicos e bem-humorados quanto inteligentes e desafiadoras dos contextos de produção em que estavam inseridos, como Guto Lacaz e Tadeu Jungle. Um aspecto relacionado a este tom mais bem-humorado também apareceu em trabalhos que se apóiam na estética da gambiarra e do improviso. Foi universo representativo, o que é um pouco esperado. Este ingrediente anárquico (em certo sentido antropofágico) é uma característica recorrente e possivelmente bastante marcante da arte atual, em que são representativas práticas hacker e procedimentos herdeiros da sampleagem. No caso dos artistas de meio de carreira, chamou atenção uma zona de fronteira em que soluções mais típicas de mídias eletrônicas e digitais dialogam com procedimentos estéticos mais consolidados (por exemplo, o universo da instalação ou pesquisas com a materialidade de uma linguagem em sua relação com um dispositivo). Esta foi uma característica significativa, no conjunto. Um desafio no processo de seleção foi justamente estabelecer um critério que permitisse avaliar que portfólios, dentro deste espectro mais amplo, eram aderentes ao Prêmio. A escolha se pautou por um critério simples: valorizar os artistas cuja poética seria impossível sem o uso de mídias eletrônicas e digitais. Vale destacar, entre os portfólios de artistas em meio de carreira, a existência de obras que atingem um equilíbrio entre elementos mais plásticos (sonoridade, visualidade, espacialização) e o de desenvolvimento de interfaces ou rotinas de programação. Apesar de mais diversificados, os portfólios de artistas em meio de carreira também foram mais irregulares, fazendo com que o processo de seleção não fosse tão competitivo quanto no caso dos artistas em início de carreira.Vale destacar que são os artistas que escolhem em que categoria do Prêmio vai participar. Apesar do dado objetivo tempo de carreira ter orientado a inscrição, há certa margem para flexibilidade. Há artistas que contam o início de sua carreira a partir da participação em exposições universitárias, ou em mostras desconectadas do universo estético do PSM. É um procedimento legítimo, mas que gera uma zona cinzenta nem sempre fácil de administrar. Nesta edição, houve alguns exemplos de artistas que estão numa fase de transição entre início e meio de carreira: são casos em que estar inscrito em uma categoria ou outra poderia ter resultado em uma leitura bastante diferente de suas obras na relação com o conjunto da categoria.

De maneira geral como você avalia os portfólios enviados?

Foi um pouco surpreendente perceber que, num universo de trabalhos bastante desafiadores das lógicas convencionais, os portfólios em grande parte foram organizados de forma bastante convencional. Esta discrepância entre os trabalhos e a forma como o artista escolhe organizá-los foi o aspecto mais marcante, neste sentido. Também houve um grande número de portfólios que não forneciam elementos suficientes para a compreensão, ou contextualização, dos trabalhos ali reunidos. Isto é um problema especialmente sensível, neste universo em que muitas das obras dependem de documentação para uma circulação mais ampla. Acredito que este seja o principal desafio dos artistas da área: entender como organizar portfólios que dêem conta de apresentar os diferentes aspectos de suas obras.



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Uma resposta para “ Selecionados 8º Prêmio Sergio Motta- Entrevista com Marcus Bastos ”

  1. fabiana cordeiro Setembro 20th, 2009 19:04

    acho que seria indispensável o meu pai waldemar]
    cordeiro,receber uma homenagem e o premiohors con
    curs pela contribuição como o1} artista brasileiro
    e quase mundial 1969 a fazer arte por computador e ele

    seu reconhecimento da sua visão tão avançada para
    a época .acho que a história e´ importante de ser
    mostrada!

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