Arquivo de Julho de 2008
Máquina-corpo
Kònic thtr é uma plataforma artistica com base em Barcelona que tem por objetivo processos criativos interdisciplinares entre a arte, novas tecnologias e ciência. Seu foco principal de atividade é a aplicação de tecnologias interativas aos projetos artísticos do grupo. Nos próximos dias 06 e 07 de agosto o grupo Kònic Thtr estará em São Paulo para apresentação do espetáculo Cherrybone, no Sesc Pompéia. Além da performance, o grupo ministrará uma oficina, no mesmo local, nos dias 08, 09 e 10 de agosto. Cherrybone mostra múltiplos pontos de vista relacionados à alimentação e ao corpo. Com diferentes coreografias, tecnologias e técnicas audiovisuais, as quatro cenas de Cherrybone são articuladas como círculos concêntricos em torno de um núcleo abstrato central que funciona como um mecanismo de nutrição. O corpo humano é encarado nessa temática em uma dupla perspectiva: em um lado, há a relação com o ato de comer e as diferentes culturas da refeição; e no outro, há a o mecanismo de nutrição e suas disfunções. O palco se torna um espaço orgânico sensível que recebe os dados das ações através de câmeras e diferentes sistemas de sensores wireless. Os dados capturados são analisados por softwares que interpretam, por exemplo, o espaço/situação dos performers ou a distância física entre eles. Desta maneira, os performers podem dialogar com a informação digital para criar um ambiente em 3D, com som e imagens em tempo real ligados à temática do corpo e da nutrição.
Sem comentários »As interfaces de Martha Gabriel

A artista e professora Martha Gabriel foi um dos selecionados na última edição do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia e é um dos nomes de destaque na área de arte e tecnologia brasileira. Martha, atualmente, é diretora de tecnologia da New Media Developers e professora dos cursos de MBA e pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi, SENAC e Belas Artes de São Paulo. Grande parte de sua obra está em trabalhos de arte locativa, webart e ações artísticas em ambientes imersivos como o Second Life. Um exemplo de destaque é SKINdoscope, obra que foca na poética da alteridade e nos jogos de identidade. Baseando-se nos dados do interator, (cor da pele, nome, cidade, país, gênero, etc) o trabalho em webart cria caleidoscópios visuais que causam a reflexão sobre as similaridades e diferenças dos interatores. Posteriormente, este trabalho foi adaptado para o Second Life, onde o caleidoscópio é formado por folhas de uma árvore. Sua obra mais recente, Locative Painting, é um site onde uma pintura é formada na tela e cujas “pinceladas” são posicionadas de acordo com a localização geográfica do interator, que após participar da pintura , recebe o resultado final via email ou SMS. Cada pessoa tem o seu momento na pintura e as camadas conectam os interatores criando uma pintura comum aleatória. Este trabalho foi criado com o apoio da Nokia e foi apresentado no Nokia Trends de 2007.
Sem comentários »Sonoricidades- Entrevista com Otávio Machado
O projeto Sonoricidades envolve a construção de uma estrutura capaz de captar, interpretar, processar e emitir de volta ao ambiente o som de um local público, permitindo por meio de uma interface gestual, a manipulação do som pelos próprios transeuntes de modo a recriar sonoridades cotidianas. Os responsáveis pela idéia são Otávio Machado e do músico Manuel Pêssoa, que receberam menção honrosa na última edição do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Um dos objetivos do projeto é gerar a possibilidade de inclusão do público na re-significação da sonoridade. O projeto será baseado em dois equipamentos de microprocessamento sonoro em desenvolvimento contínuo pelo engenheiro Guido Stolfi da Poli-USP. Integrados por um Theremin, os modelos dos dispositivos de captação são chamados de “CCCS- Caixas de Comunicação e Controles”. A primeira caixa, de saída sonora, irá reproduzir arquivos de áudios pré-gravados que serão controlados por sinais digitais provenientes dos gestos da pessoa que está interagindo, captados pelo Theremin e dos sons e voz emitidos submetidos através da segunda CCC-IP, que opera em um processo Digital de Reconhecimento de padrões de sons e voz. O objetivo principal é de por meio da interatividade produzir novos contextos dentro de um universo estético. Em uma entrevista Otávio Machado nos fala do projeto em desenvolvimento:
Vocês pretendem ser uma rede de produção criativa na qual também serão o suporte.
Sim. Do meu lado farei a parte de Tecnologia de apoio e o Manuel exemplificará musicalmente o que vai ser possível fazer sonoramente.
Como isso se relaciona diretamente com as CCC´s?
CCC é uma Caixa de Controles e Comunicação. Uma forma de “Controlar” é observar as mudanças do mundo através dos olhos, ouvidos e outros receptores sensoriais, enquanto instrumentos de seleção de informação, e a partir destes dados ativar, comandar mudanças operacionais, físicas e até informacionais. Um bom exemplo é o teclado versus monitor. Você observa pelos olhos, comanda pelos dedos e mudanças são executadas pelo hadware/firmware/software do microcomputador. E Comunicação, voltando para o exemplo do teclado, vai muito além de estar teclando frases na Internet dentro de um programa de mensagem instantânea como o Gtalk, Skipe, Orkut…Se ao invés de um teclado colocarmos um sensor capaz de registrar seus gestos e interpretá-los, até o teclar poderia ser reproduzido em palavras mesmo sem teclados. Isto seria controle. Se processarmos a “informação gerada pelos gestos via sensores” e, na ponta de saída reproduzirmos uma música gestual (originada de gestos) e outras pessoas participarem deste processo, interagindo, teremos comunicação.
Qual é o papel direto deste dispositivo? O uso deles pelos interatores produzirá uma obra coletiva?
Criar novas formas de interação entre pessoas e outros seres vivos. E que não se limitem a gestos sons, mas que sirva de instrumento gerador de novas possibilidades para músicos e outros artistas em palcos. Desde que haja comunicação, isto acontecerá inevitavelmente…Poderia ser registrada, inclusive, em áudio/vídeo performances.
Quando o projeto estará pronto?
Provavelmente ainda este ano de 2008.
Existe a possibilidade de vinculá-las a aparelhos de TV?
Pode, por exemplo, o Set Top Box projetado para a TV Digital, no Brasil, não deverá dispor de uma interface de Àudio Digital. Na próxima fase, seja a partir de recursos próprios ou atraindo investidores, pretendemos operar com microcontroladores mais poderosos, como o ARM, desenvolvendo desde reconhecimento de padrões de áudio, a áudio-conferências através e em torno de uma TV Digital. Sua conexão à TV Digital ou sua Set Top Box, será feita por USB ou cabo FTP de rede Ethernet. Como em uma simples Rede LAN ou WAN.
Entendo o funcionamento do hardware, mas penso na questão da interface? Como será essa interface?
Já nós, por aqui, ainda estamos tentando entender… há um bom caminho pela frente.Tanto no SONORICIDADES quanto na maior parte de aplicações já previstas paralelas a este projeto, teremos de um lado sensores diversos - de Áudio (microfones), presença (RF, óticos, video, capacitivos), leitores, E atuadores, reprodutores sonoros, de LEDs, eletromecânicos. Em pelo menos uma aplicação faremos uso de GPS e comunicação via Wireless. Uma aplicação futura muito interessante será feita com o uso de infravermelho, algo meio em desuso, quase menosprezado, que permite foco, escolha, por não ser broadcasting. Quanto ao Sonoricidades necessariamente, deverá incorporar elementos artesanais, pois faz parte do que fazemos incentivar o uso da arte incorporando-a com a tecnologia nem sempre de ponta, mas usando de “inteligência artificial” no software.
Como todo esse processo se liga a questão do lado musical do projeto?
Colocando-nos à disposição dele e traçando resultados juntos em um processo no qual sensibilidade, ousadia, criação, ternura até pelo que desenvolvemos, deixa espaço para o improviso, aceita erros muitas vezes incorporados experimentalmente, e faz a ponta dos dedos algo tão importante quanto a visão ou audição. Enfim, não vamos deixar ao eventual usuário a escolha livre do aleatório - o que dispensaria o músico - mas ele teria a co-autoria sobre parte do que é possível se a sua sensibilidade estiver compatível com a Sonoricidade… onde até surpresas estéticas ocorrem sem explicação plausível. Não se trata, portanto, de uma iniciativa que quer legar ao transeunte o papel de músico ou artista, mas de inseri-lo por meio da interatividade dentro de um universo estético.
1 comentário »The Static Obesity Logging device

The Static Obesity Logging device, foi desenvolvido por Benjamin Males, estudante do Royal College of art como parte da série de projetos Target, e pode ser instalado em qualquer lugar. O dispositivo é constituído por um computador que possui inputs e outputs digitais e analógicos e uma câmera. O sistema está habilitado para o cálculo remoto da massa corporal dos transeuntes, comunicando os dados via redes wireless da cidade de Londres. O aparelho foi colocado em diversas partes da cidade, inclusive na rua onde os pedestres constantemente possuem suas massas medidas. O propósito do dispositivo levanta uma série de questões polêmicas. As tecnologias de vigilância estão aumentando significantemente e invadem o dia a dia dos ingleses. Exemplo disso está no fato de que todas as ruas de Londres são monitoradas por circuitos de vídeo.
Sem comentários »Territórios Recombinantes 2008

O Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia lança hoje a 2ª edição do projeto Territórios Recombinantes, que também integra a sua programação bienal. Críticos e artistas vinculados ao Prêmio encontram parceiros em alguns Estados do país para um final de semana de debates e laboratórios que visam gerar e difundir a produção em arte e tecnologia no Brasil. Acontece assim, uma série itinerante de debates focando obras e projetos de jovens artistas, que utilizam mídias eletrônicas e digitais. Dois dias de trabalhos em cidades do Brasil, com debates entre artistas e críticos convidados e apresentações dos trabalhos de artistas selecionados. A participação é aberta aos artistas selecionados e a todos os interessados em acompanhar os debates e apresentações. O projeto conta, ainda, com um blog, que atuará como espaço privilegiado de troca e de divulgação. O Territórios Recombinantes terá início nos dias 19 e 20 de setembro, em Belo Horizonte, no museu de Arte de Moderna da Pampulha. As inscrições serão abertas a partir do dia 4 de agosto.
Sem comentários »A Saudade
No dia 26 de julho, no Piso Superior do Centro Cultural Arquipélago de Florianopólis, será inaugurada a exposição individual de Tiago Romagnani. O artista faz parte da nova geração da arte catarinense e apresenta uma obra inédita. A Saudade é o primeiro trabalho de uma série, composta também por A Paciência e A Perseverança. Para o artista “durante a materialização de idéias o trabalho se transforma e se revela, alimentando reflexões e me transformando”. O trabalho constitui-se de uma estrutura de madeira por onde escorre um fio de água que, ao ser puxado por linhas, se transforma em um filme. Este, sustentado pela tensão superficial da água, é aberto até o seu limite e se rompe. O espectador assiste o ciclo de distanciamento dos fios e a formação da película. O sistema idealizado pelo artista é composto também por motores e circuitos eletrônicos que restauram a película sempre que esta se rompe. Antes da abertura haverá um recital com o pianista Diogo de Haro e com poeta Rodrigo de Haro, que também expõe os desenhos da série Utensílios Filosofais.
1 comentário »The Open Source Band
O novo vídeo da banda inglesa Radiohead, House of Cards, utiliza de uma técnica sem precedentes no campo dos videoclipes. O vídeo foi “filmado” sem o uso de uma câmera ou luz convencional. A banda optou por uma técnica avançada que produz um conjunto de sucessivas redenrizações em tempo real. Foi aplicado um sistema de escaneamento chamado Geometric Informatics, que estrutura a luz para a captura de imagens em 3D. Para tomadas abertas, como a de paisagens, foi usado o super scanner Velodyne Lidar System, que utiliza lasers para capturar a imagem de grandes ambientes. O sistema utiliza 64 lasers em rotação de 360 graus em uma média de 900 voltas por minuto. Outra novidade está no lançamento do videoclipe, que em sua promoção permitiu a visualização dos softwares utilizados devido ao foto de estarem em open source, permitindo aos fãs que façam novas interpretações do projeto. Os resultados produzidos pelos fãs podem ser vistos no perfil do banda no You Tube . Vale lembrar que no lançamento de seu novo trabalho, In Rainbows, o Radiohead permitiu o download do novo álbum diretamente de seu site mediante ao pagamento de qualquer quantia que o fã achasse justa pelo disco.
Sem comentários »Novo Banner no Blog PSM
André Mintz e Pedro Veneroso são os responsáveis pela obra Marginália 1.0 beta, trabalho vencedor do Festival Conexões Tecnológicas. O projeto consiste em uma experimentação onde foi desenvolvido um protótipo de uma instalação audiovisual interativa, na qual o espectador interfere diretamente na projeção de imagens a partir da movimentação de uma lanterna, ora revelando, ora ocultando as imagens do vídeo. Agora a dupla apresenta o novo banner expositivo, criado especialmente para o blog do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia. André e Pedro são estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais e realizam diversas pesquisas sobre o binômio arte e tecnologia. André Mintz é estudante de Comunicação Social e atua na área de Comunicação Audiovisual. Entre seus múltiplos interesses, estão a relação entre linguagens e materialidades tecnológicas e a história cultural do desenvolvimento tecnológico. Pedro Veneroso estuda Artes Visuais na Escola de Belas Artes da UFMG e atua principalmente nas áreas de artes plásticas, design e vídeo.
Sem comentários »O discreto charme da tecnologia
Luis Buñuel usou de certa ambigüidade e ironia ao intitular seu filme O discreto charme da burguesia. Além de sua atitude crítica, o cineasta chamava a atenção a respeito da débil fronteira que há entre as distintas maneiras de operar a realidade. Na exposição El discreto encanto de la tecnología, que acontece em Badajoz, Espanha, a intenção é a de destacar que, em virtude da relação ambígua entre a arte e a tecnologia, há outras formas e outros repertórios intrínsecos à práxis da artemídia. A tecnologia como instrumento dá um passo para a técnica como procedimento do qual se servem os artistas para criar poéticas visuais, explorações sensoriais e formais, assim como inovações conceituais. O discreto encanto da artemídia está radicado neste potencial transgressor. Através da seleção de 119 obras de excepcional valor estético e histórico produzidas na Espanha, a exposição enlaça o século XIII com o século XXI, mediante uma articulação modular que se centra em seis grandes temas representativos para a condição artística: o código formal; o código visual; o código sensorial e o código espaço-temporal ; o corpo e a identidade; e a construção da realidade. A exposição possui curadoria da brasileira Cláudia Gianetti, diretora do MECAD, do espanhol Antonio Franco e do diretor do ZKM Center for Art and Media de Karlsruhe, Alemanha, Peter Weibel. Um exemplo das obras apresentadas na exposição é a instalação audiovisual Teratologías, do artista madrilenho Daniel Canogar. A instalação em fibra óptica, mostra microorganismos encontrados no corpo humano que são ampliados por um projetor de luz que invade o espaço de exibição. Ao adentrar o espaço expositivo os interatores interrompem a projeção fazendo com que a luz seja direcionada para seus corpos, metaforizando a idéia de uma contaminação do corpo público.
Sem comentários »Arte Interdisciplinar
Além dos trabalhos comentados essa semana no blog, mais três trabalhos receberam menção honrosa no Festival Conexões Tecnológicas. O trabalho “Se beber não dirija”, de Adilson Bernardo Silvestre, faz uma brincadeira com um tema polêmico. Trata-se de um VT de 30 segundos que remete a momentos de descontração numa festa ou um bar e no instante seguinte, segue a sequência de imagens que mostram uma faixa descontinua de uma rodovia que se multiplica como a visão turva de um motorista embriagado. Finalmente, a faixa se transforma na representação gráfica do sinal vital do motorista, sugerindo sua morte. Já o projeto Water Chamber, de Ricardo Coimbra Rocha, foi o resultado de uma extensa pesquisa em figura humana transposta em uma escultura digital. O trabalho tem origem dentro dos ambientes digitais dos jogos de computador, mas acabou se ampliando ao mesclar técnicas mistas como o desenho a mão livre como base de apoio para o digital. “Espaço Sensorial objeto mediado por experimentação em laboratório multimídia” é o projeto da estudante de design em tecnologia Elaine Cristina Brisque. Em uma instalação, Elaine utiliza uma projeção em animação que permanece em looping. A animação é enviada um projetor multimídia e posteriormente, é interceptada por um espelho que reflete a imagem, projetando-a em um líquido. Este líquido está contido em um recipiente que também contém tramas submersas presas a um tear circular perceptível somente ao toque. A idéia é a de mediar o espaço físico, a mídia eletrônica e o design sensorial numa proposta artística multidisciplinar onde o interator é convidado à experimentação.
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