Arquivo de Junho de 2008
Blog Territórios Recombinantes
O Territórios Recombinantes é um dos projetos que integra a programação bienal do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Críticos e artistas vinculados ao Prêmio encontram parceiros em alguns estados do país para um final de semana de debates e laboratórios que visam gerar e difundir a produção em arte e tecnologia no Brasil. Em 2006, toda a equipe de debatedores composta por Daniela Castro, Luiz Duva, Lucas Bambozzi, Marcus Bastos visitou as cidades do projeto, estabelecendo um diálogo direto com os convidados locais e os artistas participantes. Agora em sua 2ª edição, o evento terá menos debatedores para que assim aconteça com maior abrangência. Gabriel Menotti, um dos membros do Cine Falcatrua e também participante do projeto, afirma que o TR está um pouco mais pulverizado : “cada cidade vai receber uma dupla, formada pela Daniela Castro e por algum dos outros artistas. Esse novo esquema aumenta a importância da participação dos convidados locais e sugere uma reorganização dos debates para um modo mais informal, de troca de idéias. Com a equipe mais difusa, o contato entre os participantes precisa de outras vias para se realizar”. E para que os participantes tenham outras vias de acesso, o projeto terá um blog oficial e escrito por Gabriel. O blog, que está on-line a partir de hoje, terá duração até dezembro, mês previsto para o término das atividades. O Territórios Recombinantes terá início em Belo Horizonte, no dia 19 de setembro. Para saber sobre a programação dos debates acesse http://tr.premiosergiomotta.org.br .
Sem comentários »Picasso e a fotografia

Picasso, além de ser o artista mais fotografado da história, é também considerado o artista mais importante dos século XX. Foi capaz de utilizar todos os meios técnicos e expressivos, revolucionando seus limites e abriu caminhos novos em técnicas tradicionais como a pintura, a escultura e a gravura. Por inúmeras vezes explorou as possibilidades de outros campos como o dos ready-mades, a escritura poética e a fotografia. Picasso registrou fotograficamente quase toda sua obra, o que permitiu a realização de estudos exaustivos de todos seus períodos. Para tal, utilizou todas as técnicas pioneiras da fotografia, desde o cliché verre, a heliogravura ou o fotograma. Se não desenvolveu mais seu próprio trabalho no campo de a fotografia, foi, segundo suas próprias palavras, devido à limitação técnica que não lhe permitia a liberdade suficiente nos processos. Assim, Picasso foi fotografado por muitos dos os grandes fotógrafos de sua época: Man Ray, Brassaï, Dora Maar, Lucien Clergue, Villiers, mas poucos fotógrafos espanhóis o fizeram. Pensando nisso a Galeria madrilenha La Caja Negra apresenta uma seleção de fotografias, gravuras e folders que refletem algumas das incursões de Picasso na fotografia, bem como um conjunto inédito de fotografias de Picasso tiradas por pelo fotógrafo Antonio Cores, Lucien Clergue e André Villiers. Para quem não conhece, a galeria é especializada em exposições de trabalhos que se utilizam de técnicas impressas , como a xilogravura, a serigrafia e a gravura em metal e técnicas mais recentes como a fotografia e a impressão digital.
Sem comentários »Ars Electronica
O festival Ars Electronica de 2008 marcou uma data final para a propriedade intelectual do jeito que a conhecemos. Com o tema A NEW CULTURAL ECONOMY - When Intellectual Property Runs Up against Its Limits, o festival terá todas as suas atividades voltadas para a discussão de temas como Open Source, Copyleft e novos modos de organização da produção artística. Para tanto, o statment curatorial do festival foi escrito por ninguém menos que Joichi Ito, ativista e um dos diretores do Creative Commons, que afirma que a era do Copyright e da Propiedade Intelectual alcançaram sua data de validade. “Uma nova geração de usuários são os responsáveis pelo desenvolvimento de fundamentos técnicos e novas práticas que fundam uma nova economia de compartilhamento e acesso.” O festival que acontece em setembro, na Áustria, além de simpósios e conferências, terá uma extensa exibição de arte, incluindo mostras de animação, exposições de arte digital e projetos interativos como o do artista David Grassi, que esteve no Brasil em março deste ano apresentando o trabalho Demokino.
2 comentários »Vacuum Virtual Machine

O Vacuum Virtual Machine é uma instalação que utiliza um software gráfico que explora e simula as mudanças reticulares de auto-organização de átomos e moléculas. Em uma tela fluem formas diversas e mutáveis. O que a princípio parecem simples configurações aleatórias e plásticas, são na verdade, gráficos 3D de visualização de dados que o visitante pode observar durante seu processo evolutivo. Dessa maneira, esses gráficos formam a expressão externa ou o auto-mapeamento de una “máquina virtual”. Aproximando-se da noção de inteligência artificial, este artefato que não possui existência física, trabalha constantemente desenvolvendo códigos para poder modificar a si mesmo. O responsável pelo projeto é o espanhol Álvaro Castro. Situado em Madrí, este jovem pesquisador e arquiteto se empenha em pesquisas sobre arquitetura e a geração de solução visuais para ambientes urbanos em sistemas não lineares. A “máquina virtual” rompe a separação entre hardware e software, funcionando de um modo celular, auto-organizado, não seqüencial, ou seja, autopoiético. O software constitui um modelo generativo de visualização de comportamentos complexos que se dão por meio de uma interface simples. Sob a aparência de membranas e tecidos, o interator encontra uma compreensão tridimensional e sintética da auto-organização dos sistemas vivos. O objetivo dessa síntese visual é permitir entender de maneira intuitiva, a profunda complexidade dos padrões dinâmicos dos sistemas em rede, neuronais ou sociais, e suas arquiteturas mutantes. A instalação foi apresentada dentro da mostra Banquetes_nodos y redes no LABoral Art and Industrial Creation Centre em Gijón, Espanha.
Sem comentários »Bill Lundberg na Artur Fidalgo

O norte-americano Bill Lundberg é internacionalmente reconhecido como um dos pioneiros na arte da vídeo-instalação. Fundador do Programa Transmedia, Lundberg foi pioneiro no campo das instalações contemporâneas de filme e vídeo que antecederam e influenciaram artistas como Bill Viola, Gary Hill e Tony Cursier. Firmemente enraizado na contra-cultura dos anos 60, ele se afasta da pintura voltando-se para a arte da performance e para a instalação de cinema e vídeo. Esta é a primeira vez que expõe em uma galeria comercial brasileira, no caso a galeria carioca Artur Fidalgo, apresentando duas video-instalações. O artista terá exposto os trabalhos, Moldura, feito nos anos 70 e uma segunda video-instalção realizada no Rio de Janeiro. Sobre Moldura, feita em super-8 e agora digitalizada, Lundberg afirma: “É uma obra simples, que contém uma complexidade, pois é a respeito do presente e do passado; sobre o que a arte já foi e é hoje em dia. Se baseia no desejo secreto dos artistas durante muitos séculos de arte, que sempre foi o de impregnar com vida a imagem enquadrada”. Usando um chafariz como sujeito, essa vídeo-instalação é também uma metáfora para o ato de projetar: projeção de água em confronto com a projeção de imagem. O outro trabalho, sem título, foi rodado no Rio, com a câmera fixa em um lance de escadas, registrando as centenas de pessoas que sobem e descem em diferentes ritmos e estados de espírito. O áudio tem apenas os sons dos passos. A extensa carreira de exposições internacionais de Lundberg tem sido objeto de vários prêmios.
Sem comentários »O corpo transitório de Marina Abramović
Expansion in Space é uma das performances mais famosas de Marina Abramović, realizada pela primeira vez na Documenta de Kassel em 1977.
O Brasil recebe um dos maiores nomes da perfomance mundial. A Galeria Brito Cimino abre a exposição Transitory Object for Human Use – Objeto Transitório para Uso Humano, da artista plástica Marina Abramović, que se utilizará da área das 3 salas expositivas da galeria para apresentar suas 12 obras, com instalações e objetos que contam com a participação ativa do público. Abramović, nascida em 1946 em Belgrado, na Iugoslávia, é sem dúvida uma das artistas seminais de nosso tempo. Desde o início de sua carreira, no início dos anos 70, quando estudou na Academia de Belas Artes em Belgrado, tem sido pioneira no uso da performance como uma forma de arte visual, onde faz de elementos da sua biografia situações mentais fundamentais, dramatizando-as. Seu corpo é o seu material e, com o espaço que ocupa, forma o seu campo de atuação. Com freqüência, a artista chega aos limites do físico e mentalmente suportável, indo mesmo além deles. Para a galeria Brito Cimino o trabalho de Marina Abramović subdivide-se em duas partes: “Corpo do Artista”, em que a performance é executada por ela mesma, e “Corpo Público”, na qual ela pede ao público que participe da performance. As obras por ela concebidas têm participação certa nas mais respeitadas exposições internacionais como Documenta de Kassel, Biennale di Venezia, Centre Georges Pompidou entre outros. Nesta exposição em específico, o público é convidado a ser participante ativo. As instruções relativas a cada objeto estarão disponíveis e a participação depende apenas de ler e seguir as mesmas. Fica a critério de cada visitante o tempo que passará com cada objeto. A expectativa de Marina Abramović é de que o público brasileiro reaja com emotividade e curiosidade características, como ela se recorda de suas visitas anteriores.
Sem comentários »O corpo é o limite do pensamento
O grupo Corpos informáticos realiza pesquisas artísticas em performance, videoarte, videoinstalação, vídeo-perfomance, performance em telepresença e web-arte. Surgido na Universidade de Brasília no ano de 1992, é composto de atores, performers, técnicos e artistas plásticos. Seu objetivo primeiro é interrogar as possíveis relações entre, por um lado, o corpo real, o corpo carne, o corpo presença, isto é, o corpo da linguagem artística e para tal se baseiam nas teorias de Félix Guattari e Giles Deleuze. O grupo recebeu menção honrosa na 7ª edição do Prêmio Sérgio Motta de Arte e tecnologia pelo trabalho Uai: Ueb Arte Interativo , realizado em 2006. Agora, a CAIXA Cultural do Rio de Janeiro recebe, de 25 de junho a 20 de julho de 2008, a exposição Bia Medeiros: Trajetórias do Corpo, que com curadoria de Priscila Arantes, reúne obras do grupo Corpos Informáticos, que é coordenado por Bia desde seu surgimento. Para a curadora da mostra, Priscila Arantes, o Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos, demonstra em suas obras uma preocupação com o entendimento da arte. “Em um mundo em que as subjetividades e as relações se tornam cada vez mais líquidas, as ações do Grupo revelam uma preocupação que me parece fundamental: o entendimento da obra de arte como aquilo que afeta, como aquilo que cria novos corpos/pensamentos descondicionados pelas mazelas do capital”, afirma. Serão apresentados na Grande Galeria da CAIXA Cultural cerca de 20 vídeos,fotografias de corpo, composições urbanas e uma sala de estar que se trata de uma proposta relacional, além da produção de Bia Medeiros, anterior à própria fundação do grupo Corpos Informáticos.
Sem comentários »O futebol por Douglas Gordon

Douglas Gordon (Glasgow, 1966) se tornou um dos artistas mais conhecidos da cena artística internacional ao longo da década de 90. Os seus trabalhos usam uma variedade de suportes tais como o vídeo, a fotografia, o som e o texto. A sua visibilidade internacional tem aumentado desde a obtenção do Prêmio Turner em 1996 ou do Prêmio Hugo Boss. Em 23 de Abril de 2005, Douglas Gordon, então convidado do programa de artistis-in-Berlim, e Philippe Parreno gravaram o jogo de futebol Villareal contra Real Madrid utilizando dezessete câmeras que capturaram cada etapa do grande jogador francês Zinedine Zidane, do kick-off ao assobio final. À beirada do campo, as lentes captaram cada movimento do jogador, ao invés dos movimentos da bola. O resultado é um vídeo, que os diretores Gordon e Parreno denominaram Zidane: um retrato do século XXI. Zidane se aposentou há dois anos após a fatídica final da Copa do Mundo de 2006, acontecida no estádio olímpico de Berlim. Douglas Gordon que assistiu a partida a utilizou como retoque final para o seu trabalho. Um retrato do século XXI nunca foi mostrado na Alemanha e pela primeira vez será exibida na daadgalerie.
Sem comentários »Neurocinema

Laurent Grasso, para sua exibição no Rochechouart Museum of Contemporary Art, converteu o sótão de madeira do museu, localizado no último andar do castelo em uma máquina da paisagem. Ali, o artista escolheu instalar o Project 4 Brane, um módulo de aço e de vidro que esconde um quarto de projeção com transparência incerta. O nome da obra se refere às branas ou as dimensões múltiplas previstas na teoria das Supercordas para fornecer uma visão unificada do universo, ligando mecânica quântica com a relatividade geral. Como um casco de navio invertido, o espaço do sótão amplifica o sinal de recepção do módulo ao qual Laurent Grasso também chama de Neurocinema. Conjurando as imagens e mapas de um cenário cibernético futurista, na realidade, o nome se refere aos mecanismos neuronais que são a base de todas as formas de expressão cinematográfica, desde a ilusão do movimento à arte de manipulação da edição. Nesta instalação, os visitantes adentram um quarto escurecido, onde podem incorporar e testemunhar uma visão da flutuação da paisagem vista da posição vantajosa do castelo de Rochechouart. As imagens são acompanhadas em tempo real e os sons gravados por sensores localizados no telhado do castelo, dessa forma, os elementos da paisagem de fora do sótão são guiados analogicamente no espaço do museu. Para saber mais sobre a teoria do Neurocinema, na qual Grasso inspira seus trabalhos, leia o texto Neurocinema ou cinema quântico de Peter Weibel.
Sem comentários »Corpo, espaço e dança de Lara Pinheiro
A coreógrafa e bailarina Lara Pinheiro possui um extenso trabalho de pesquisa sobre dança. Além de espetáculos para palco à frente do grupo Dança Povera, o trabalho com instalações, vídeo e dança são uma constante onde a relação corpo/espaço tem sido o tema central. Exemplo disso são a instalação Paisagens Secretas (2000), a performance De Zero a Um (2005) e os vídeos dança Paisagens (2000) que recebeu Menção Honrosa do Premio Sergio Motta, prêmio este do qual foi componente do júri da edição de 2001. Como bailarina e assistente de direção atuou no grupo Terceira Dança, ganhador do Premio APCA de 1995 (Premio Especial do Júri) e como coreógrafa convidada, apresentou-se na Alemanha e Estados Unidos. Em 2007, ao lado de Lívio Tragtemberg, Jurandir Muller e Daniela Bousso, criou o espetáculo multimídia Nó(s) que pretende experimentar as diferentes abordagens da criação cênica, onde, teoria, música, dança e imagem co-habitavam o mesmo espaço/tempo, em um processo de criação coletiva. O resultado foi visto na entrega do Premio Sergio Motta de 2007 e pretende-se dar continuidade ao projeto, levando para outros espaços como o MAM Salvador. “Minha participação trouxe a questão do corpo como confluente de força no espaço, catalisador de potências, na tentativa de abolir o papel da dança como representação de algo que não está lá na cena”, comenta Lara. Atualmente é chefe da curadoria de dança do Centro Cultural São Paulo. Sua atuação na curadoria de dança pretende restabelecer vínculos com criadores e com o público, trazendo para o CCSP manifestações de questões atuais da dança: a performance, a vídeo dança, novas experimentações da cena, criadores jovens e consagrados que estejam arriscando novas abordagens da linguagem. Para tanto, além de uma programação que traz inúmero espetáculos de danças e mostras de vídeo, o CCSP abriu edital para a contratação de Oficinas de Dança, onde a proposta é oferecer oficinas de qualidade para o público, cada vez maior.
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