Blog do Instituto Sergio Motta

ARCO 2008- Entrevista com Rejane Cantoni

O grande mérito da ARCO 2008 foi dar espaço não só a arte contemporânea brasileira, mas também à artemídia em sua seção Expanded Box. Além, do artista Lucas Bambozzi, que comentou neste blog sua participação, os artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti também estiveram presentes na feira e apresentando seu projeto Infinito ao cubo. Entrevistamos Rejane Cantoni, que também já foi contemplada pelo prêmio Sérgio Motta, para sabermos como foi participar da maior feira de arte da Espanha:

O que representou para vocês participar da ARCO?

Duas coisas: o reconhecimento internacional do trabalho e o nosso posicionamento no mercado da arte (nossa entrada no universo das galerias). A participação na ARCO aconteceu porque o Infinito ao Cubo recebeu um convite para integrar a mostra do Expanded Box. O bacana disso é que o Expanded Box é o setor mais “experimental” de toda a feira. Isto é, as 9 instalações e as 12 projeções ali exibidas, apesar de manterem a convenção de serem representadas por galerias, foram selecionadas com base a critérios definidos por uma equipe curatorial importante, autônoma e internacional, composta por Cláudia Giannetti (curadora e especialista em media art), Ernesto Calvo (comitê assessor e diretor do Museu de Arte Contemporânea e de Desenho da Costa Rica), Hou Hanru (comitê assessor e curador da 10ª Bienal Internacional de Istambul (2007) e Rudolf Frieling (comitê assessor e curador em media art do Museu de Arte Moderna de San Francisco (SFMOMA). O péssimo disso é que não recebemos nenhum tipo de apoio institucional. Assim, com relação ao nosso posicionamento no mercado da arte, isso só ocorreu porque tivemos a sorte de encontrar uma galeria que (como nós) tem a coragem de apostar em projetos tão experimentais quanto os que desenvolvemos.

Como surgiu a idéia do Infinito ao Cubo?

Há 3 anos começamos a pesquisar e a desenvolver novos modelos de interfaces cinemáticas, i.é, começamos a experimentar com dispositivos que produzem imagens em movimento que podem ser renderizadas e visíveis em qualquer tipo de tela ou de ambiente imersivo e que podem se estruturar através de qualquer lógica ou narrativa.No caso específico do Infinito ao Cubo, estávamos experimentando com tecnologias alternativas para telas de projeção, mais particularmente com espelhos.Era inicio de 2005 e durante uma de nossas seções de trabalho, montamos no estúdio um protótipo muito precário do dispositivo, uma espécie de cubo desconexo, formado de 6 placas de espelhos de vidro (de 30 cm, cada), estruturadas por pegadores de ferro a caixas de madeira. Por causa da precariedade do artefato, as paredes desse protótipo não se juntavam e instintivamente (ou não, porque a idéia era mesmo a de construir um ambiente imersivo) fomos levados a olhar seu interior.Essa foi uma experiência inesquecível. Por meio das frestas, no interior do cubo a cor e a luz do espaço exterior era visível através de múltiplas linhas de luz, o que gerava um efeito caleidoscópico.Imediatamente pensamos estar vislumbrando uma tela de MC Escher (chegamos até a imaginar que o famoso artista estudioso de matemática, havia feito o mesmo experimento). Depois nos propusemos: vamos entrar nesse espaço e vamos alterar a relação.

Infinito Cubo - crédito Leonardo Crescenti

Como foi ver a reação das pessoas interagindo com o Cubo?

Impressionante. Porque além de funcionar como um sensor da luz, ambiente o trabalho parece também funcionar como um sensor de hábitos. Nós já o instalamos no Brasil, no México e na Espanha e o mágico é observar que, por ter uma interface intuitiva, ele revela costumes de uso do visitante. No Brasil, na Pinacoteca de São Paulo, as filas eram enormes. As pessoas respeitavam esse transtorno pacificamente mas uma vez no interior da obra elas a moviam, de um lado a outro, no limite do possível.

O que houve de melhor e pior na ARCO?

Melhor: a interação com as pessoas.
Pior: os custos operacionais com transporte, aluguel de stand, montagem, estadias, passagens, etc, etc, etc……………….



 | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 549

Deixe uma resposta.